Casal Yvone e Irio Royer mostra granizos do tamanho de bolas de tênis que caíram em Corbélia: “algumas pesavam um quilo”| Foto: Cesar Machado/Vale Press

Santa Catarina

Chuva de três dias supera o volume do mês inteiro; Blumenau em emergência

O volume de chuvas nos últimos três dias na maior parte de Santa Catarina foi maior do que o normal para todo o mês de setembro, segundo relatório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram). A cidade que recebeu o maior volume de chuvas foi Alfredo Wagner – 263,2 milímetros (mm) entre sexta-feira e domingo. Rio do Sul aparece em segundo lugar, com 245 mm, seguida de Bocaina do Sul, com 224,4 mm.

Cerca de 20,5 mil pessoas foram afetadas pela chuva em 70 cidades, segundo a Defesa Civil de Santa Catarina. Ontem, mais duas cidades decretaram situação de emergência: Blumenau e Campo Erê.

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Cerca de 53 mil paranaenses foram afetados pelos temporais que atingiram o estado no último fim de semana, segundo boletim da Defesa Civil Estadual divulgado às 18 horas de ontem. Destes, 2.510 permanecem desalojados (na casa de amigos ou parentes) – a maioria nas cidades de Corbélia, Londrina, Coronel Vivida e Turvo.

Três prefeituras – São João, Salto do Lontra e Cor­bélia – decretaram situação de emergência. Ao todo, 38 municípios das regiões Oeste, Sudoeste e Sul relataram prejuízos, com 10.140 casas danificadas por destelhamentos provocados pelo vento forte e pelo granizo. Trinta e oito pessoas ficaram feridas, boa parte em quedas causadas ao tentar improvisar cobertura para as casas. A Defesa Civil disponibilizou 400 bobinas de lona e 28 mil telhas para atender as famílias desalojadas no estado.

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Desastre

Em Corbélia, no Oeste, os prejuízos causados pelo temporal de granizo foram estimados em R$ 10 milhões, após reunião emergencial do prefeito Ivanor Bernardi com secretários municipais. Cerca de 30 desabrigados estão provisoriamente no Centro de Eventos do município.

Até o prefeito ficou desalojado e precisou passar o fim de semana na casa de parentes. A dona de casa Maria Leonilda dos Santos não teve alternativa a não ser abandonar a casa que teve o telhado todo danificado pelo temporal da última sexta-feira. "Estou aqui [no alojamento], mas preocupada com a minha casa", disse.

O aposentado Irio Alfonso Royer iniciou a semana trocando todo o telhado da casa e disse nunca ter visto algo semelhante. Ele chegou a guardar no congelador várias pedras que caíram sobre seu terreno do tamanho de uma bola de tênis. "Guardei para mostrar para meu cunhado que mora em Limeira (SP) e está vindo para cá. Ele não acredita", conta. Alguns moradores relataram que pesaram as pedras maiores e algumas chegaram a um quilo.

Nas zonas rurais de Turvo e Prudentópolis, no Centro-Sul do estado, a semana começou com muito trabalho. Segundo a prefeitura de Turvo, 159 famílias tiveram os telhados de suas casas perfurados pelo granizo. Dessas, 65 estão em casas de parentes, segundo a diretora do Departamento de Bem-Estar Social da prefeitura, Adelayne Ferreira de Campos. O órgão forneceu 200 lonas e 320 cobertores aos atingidos.

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Outras 700 famílias foram prejudicadas pela chuva de gelo em Prudentópolis. Além disso, moradores de cinco localidades rurais da cidade estão isolados pela enchente dos rios. Prédios de uso público também foram afetados. "A Santa Casa, quatro minipostos de saúde e umas 12 escolas tiveram danos nos telhados", completa o chefe da Defesa Civil em Pru­dentópolis, Maurício Cam­polim. Foram distribuídos 10 mil metros de lona.