
Quando veem um grupo de mulheres, os ambulantes de praia percebem boas oportunidades de negócio. Eles e um arsenal composto por vestidos, biquínis, shorts, cangas, saídas de praias e afins passam lentamente para que elas as possíveis compradoras tenham tempo de desejar e escolher seus produtos. Em meio às cerca de 11 mil peças que desfilam de um lado a outro das areias nas araras improvisadas há várias opções de cores, modelos, tamanhos e até formas de pagamento. E para quem quiser provar algum modelito por ali mesmo, as boutiques ambulantes oferecem até espelho.
Segundo a prefeitura de Matinhos, há 11 vendedores que atuam no ramo nas praias do município. Cada um deles circula com aproximadamente mil peças. Com a experiência de 20 anos vendendo roupas na praia, Roberto Gomes, 56 anos, começou no negócio no litoral paulista. Há cinco, ele trabalha em Caiobá e nesta temporada inovou nos negócios: "Para facilitar as vendas também aceito cartões de crédito e débito, porque tem gente que não vem para a praia com dinheiro", explica.
Diariamente, o carrinho puxado pelo comerciante leva cerca de mil peças, entre as que estão penduradas nos cabides e outras guardadas dobradas nas caixas um tipo de depósito móvel. Ao todo, carrinho e roupas somam cerca de 500 quilos. A conta é do vendedor ambulante Pedro Soares, de 45 anos, que há 25 trabalha no ramo, com uma rotina que chega a 12 horas de trabalho por dia. "Em um dia bom dá para lucrar uns R$ 1.200. As maiores clientes são as senhoras", conta. As peças vendidas variam de R$ 10 a R$ 80 e a mais procurada são os vestidos longos. "Já vendi roupas masculinas também, mas não tinham muita saída", revela. As peças são compradas de uma indústria de confecções do Rio de Janeiro.
Mas a venda de roupas na areia não é um mercado exclusivamente masculino. Cláudia Siqueira, 43 anos, trabalhou por 20 anos carregando araras repletas de roupas na praia e, neste ano, resolveu ampliar o negócio: virou consultora de moda das veranistas. "Por ser mulher, sou frequentemente consultada pelas veranistas se a roupa experimentada ficou boa", conta. E se as interessadas estiverem sem dinheiro na praia? "Posso entregar a roupa na casa da pessoa, sem problema algum", resume.
Ar livre
Com peças circulando ao alcance dos olhos, as compras ficam muito mais fáceis. Nada parecido com shopping centers, corredores e estacionamentos lotados. Pelo contrário, tem brisa do mar e o provador é ao ar livre é só experimentar a peça sobre o biquíni. "Mulher não tem jeito, compra sempre. Na praia vale ainda mais a pena porque é mais barato", argumentava a pedagoga Cristiane Costa, 40 anos, de Curitiba, enquanto provava um camisão de praia.
Até mesmo homens vão atrás dos produtos para presentear. "Minha mulher pediu uma saída de banho. Reservei, busquei o dinheiro em casa e comprei", detalha o tosador de 32 anos Luís Fabiano Panzarini, também de Curitiba.






