Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Caixa Zero

A venda do Banestado

"Não é tarefa fácil dirigir homens. Empurrá-los, por outro lado, é muito simples."

Rabindranath Tagore, Filósofo e escritor indiano.

O ex-governador Jaime Lerner havia tirado uma espécie de ano sabático da mídia. Nem mesmo durante as eleições, quando apoiou nos bastidores a candidatura de Osmar Dias ao governo do estado, saiu do confortável silêncio dos ex-governantes. Quando voltou à cena, porém, já causou barulho. Em entrevista publicada há uma semana por esta Gazeta do Povo, fez comentários que desagradaram a alguns dos políticos da ativa.

Por exemplo, opinou que o metrô é só bandeira de campanha. Não sai do papel. Obviamente, Beto Richa não gostou. Para o pessoal do PMDB, o próprio fato de Lerner dar entrevistas deveria ser proibido. Um texto – mal escrito e com erros de grafia – assinado pelo partido dizia que a imprensa tentava "ressucitar" (sic) a "direitona" com a entrevista. Como se um ex-governador não devesse falar ao público.

Quem também teve suas restrições aos comentários de Lerner foi Luiz Antônio Fayet. Primeiro presidente do Banestado no mandato do ex-governador, Fayet ficou insatisfeito com os comentários do político sobre a privatização do banco. Lerner disse que se arrependia de não ter vendido o Banestado já "no primeiro minuto de seu primeiro mandato". Falou que o banco tirava R$ 700 milhões do mercado por dia para fechar as contas, mas que lhe prometeram que tudo seria resolvido.

Fayet diz que quando assumiu os R$ 700 milhões diários eram uma realidade. Mas em menos de um ano o problema estava resolvido. O ex-presidente disse que quando zerou o déficit falou a Lerner que o banco poderia ser vendido, ainda em 1995. No entanto, o Banestado só foi a leilão em 2001. E para fazer a venda, foi necessário fazer um novo saneamento, de R$ 5 bilhões. Sendo que o banco foi vendido por R$ 1,6 bilhão. Ou seja: o primeiro saneamento durou pouco tempo. E o segundo custou bem caro. No fundo, talvez Lerner tenha razão para se arrepender. Se era para vender, talvez devesse ter feito isso antes.

Radar

Terras – Cassio Taniguchi, atual secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal, foi ao Palácio do Planalto ontem. Pediu que o governo federal dê ao governo local as terras irregulares. Há 14 mil propriedades rurais nesta situação no Distrito Federal. Regularizá-las será o grande desafio do ex-prefeito curitibano. A ministra Dilma Roussef ficou de ajudar o governo de José Roberto Arruda a solucionar o problema.

Fruet – Enquete do UOL, o maior portal de internet do Brasil, pergunta se os leitores acharam bom haver o lançamento da candidatura de Gustavo Fruet à presidência da Câmara dos Deputados. Mais de três mil e seiscentos internautas haviam votado até o fim da tarde de ontem. Destes, 79% marcaram a seguinte resposta: "Sim. Ele é conhecido como honesto e defensor da ética na Câmara." E 21% disseram: "Não. A terceira via não poderia escolher como candidato um deputado do PSDB".

Contracheque – Para os deputados federais que não se reelegeram, hoje é dia de receber o último pagamento da Câmara dos Deputados. E olha que nem são os R$ 24,5 mil a que eles achavam ter direito. São "míseros" R$ 12 mil. Talvez não dê nem para fechar as contas.

Fiscalização – Quem gosta de fiscalizar políticos deve conhecer o site do projeto Adote um Município. A página, mantida por uma ONG, ensina a montar uma organização voluntária e dá dicas de como acompanhar a vida de nossos representantes. A experiência de Ribeirão Bonito, onde a população foi fundamental para desmontar um esquema de corrupção, é a base do projeto. O endereço é www.adoteummunicipio.org.br.

O colunista Celso Nascimento está em férias.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.