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Combate ao câncer

Avanços tecnológicos e conscientização da população ajudam a reduzir índice de mortalidade do câncer

Não faz muito tempo, a sociedade evitava pronunciar a palavra câncer ou falar sobre o assunto, pois havia a crença de que poderia atrair a doença. O medo ainda existe, mas aos poucos a situação vem mudando com a ajuda de campanhas nacionais na mídia que reforçam a idéia de que, ao contrario do que se pensava, é fundamental discutir e enfrentar o problema.

A grande aliada nesta luta, é sem dúvida, a evolução da ciência e do conhecimento. Com a descoberta de novos métodos de diagnóstico e de tratamento do câncer, a medicina já consegue neutralizar o aumento na taxa de mortalidade da doença, assim como melhorar a qualidade de vida do paciente durante o tratamento.

Em contrapartida a toda esta evolução, o câncer também sofreu alterações com o passar dos anos e sua incidência deu um salto nas últimas décadas, o que significa dizer que o índice de mortalidade diminuiu, mas não o número de pessoas com câncer - em 2006 foram estimados 470 mil casos novos de câncer no Brasil.

Segundo o diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, dois fatores principais contribuíram para que o câncer deixasse de ser a doença rara do início do século para se tornar a segunda maior causa de morte por doença na maioria dos países, entre eles o Brasil - as doenças cardiovasculares ocupam a primeira posição. Seriam eles o aumento da expectativa de vida da população e uma exposição maior aos fatores de risco - sol, fumo, vírus HPV, entre outros.

- O processo de envelhecimento do indivíduo é um risco para o câncer. Além disso, o mundo está mais nocivo. A ocorrência de alguns tipos de câncer de pele, como o melanoma, aumentou muito, principalmente nos países mais ensolarados. Podemos dizer, então, que a doença mudou não só porque aumentou sua incidência, mas em função da história natural do planeta - acrescenta Santini.

A ciência agora enfrenta o desafio de tentar driblar o câncer com métodos - impensáveis há alguns anos - que se tornam cada vez mais eficazes para diagnosticar, prevenir e tratar a doença. Na década de 1930, por exemplo, o hospital de tratamento de câncer era um lugar para as pessoas morrerem, pois quase não havia expectativa de cura para os enfermos. Hoje, segundo dados do Inca, cerca de 60% dos casos de câncer são curáveis quando diagnosticados na fase inicial. Se detectados precocemente, alguns tumores são completamente curáveis. Até meados do século passado, o número de pessoas que morriam de câncer chegava a 80%.

- Houve uma inversão clara da situação e o grande responsável por essa mudança no quadro da doença foi o próprio avanço do conhecimento a seu respeito. Esses avanços permitiram que se tomassem ações no campo da prevenção, do diagnóstico, isto é, da capacidade de se detectar o câncer o mais cedo possível, e no campo do tratamento - afirma.

O câncer na linha do tempo

Até a década de 50, toda a estrutura de atendimento ao câncer estava baseada na assistência clínica e nas cirurgias, realizadas muito mais para eliminar uma situação adversa que causasse mal-estar na sociedade, como um câncer de língua ou de pele, do que efetivamente para tentar salvar a vida do doente. Os pacientes com câncer já chegaram a ser comparados, por exemplo, a leprosos que deviam ser isolados da sociedade. Naquele momento, os exames de diagnóstico praticamente não existiam, o que fazia com que a descoberta dos tumores fosse quase sempre tardia.

Com o tempo foram aparecendo novos meios de diagnósticos laboratoriais e exames de imagem, que pela riqueza de detalhes, aumentavam a chance de o câncer ser identificado ainda no início. O diagnóstico precoce permite uma melhor qualidade de vida ao paciente, que pode ser submetido a tratamentos paliativos, uma vez que o tumor ainda não sofreu metástase, espalhando-se para outras partes do corpo.

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