"Eu sou um presidente reeleito, portanto, eu não posso agora dar palpite na reforma política no que diz respeito à reeleição."
De Lula, ontem, no seu programa semanal de rádio.
É espantosa a capacidade que algumas pessoas apresentam para distorcer fatos, de modo a adaptá-los às próprias conveniências. Ontem, por exemplo, na "escolinha", o governador Roberto Requião citando a Gazeta do Povo disse que o juiz federal Carlos Felipe Komorowski determinou a mistura de soja transgênica com a convencional no silão público do Porto de Paranaguá.
Requião disse que o juiz deu uma ordem ilegal. E, por ser ilegal, ele não permitirá que se faça a mistura. "Fica aqui a minha determinação: o porto não vai misturar porque não se descumpre a lei", disse Requião, sob aplausos da platéia que voluntariamente se reúne todas as semanas para aplaudi-lo.
A principal distorção está no fato de que o juiz não determinou que a soja fosse misturada. O que ele fez foi ordenar que o silão público hoje exclusivo para produto convencional passasse a armazenar também a transgênica.
Isso é possível. O silão, com capacidade para 100 mil toneladas, dispõe de 32 diferentes compartimentos (ou células, para usar a denominação técnica) nos quais podem ser estocados produtos diversos: trigo num, soja convencional em outro, transgênica num terceiro, e assim por diante.
Logo, não há descumprimento à lei se a segregação for feita dessa forma. O que não se pode é permitir que o silão permaneça quase vazio, enquanto os portos de Santa Catarina, de Santos e até da Argentina se beneficiam com o crescente movimento de embarques transgênicos proscritos no Paraná.
Não custa lembrar: nada menos de 89% das cargas de soja que chegaram a Paranaguá este ano são de origem transgênica.
Justiça é o melhor remédio
Tá doente? Tá precisando de remédio? Procure a Justiça! Essa é a regra estabelecida pelo governo para fornecer medicamentos especiais para os pacientes que procuram por socorro. A ordem, agora, é só atender os casos protegidos por liminares judiciais. Quem não tiver uma liminar não ganha. Por isso, foi montado um grupo de procuradores na Procuradoria-Geral do Estado (PGE) só para cuidar desse assunto.
Então, fica assim: no Paraná, além de um bom médico, os pacientes devem procurar também um escritório de advocacia. Aliás, já há vários se especializando nesse tipo de causa, tal o número de ações que todo dia chega à Justiça.
Enquanto isso, o diretor da Central de Medicamentos do Paraná (Cemepar), Paulo Silva, disse ontem em entrevista à rádio BandNews que a bagunça que se instalou em relação às rotinas de fornecimento de remédios é culpa dos deputados. Segundo ele, a Assembléia atrasou na aprovação do orçamento do estado e, por isso, o Cemepar ficou sem dinheiro. Uma bobagem: o orçamento foi aprovado em dezembro, exatamente dentro do prazo determinado pela lei.
Olho vivo
Engano 1 O presidente da Assembléia, Nélson Justus, transferiu para 15 horas o depoimento que os dirigentes da Sanepar, Stênio Jacob e Pedro Henrique Xavier, darão amanhã sobre o caso Pavibrás. Anteriormente, a audiência estava marcada para as 10 horas mesmo horário em que ocorreria uma homenagem à APP-Sindicato. Como houve protestos contra a coincidência, Justus fez o mais justo: dedicará a sessão da tarde, no plenário, para o depoimento.
Engano 2 O Selo Qualidade Paraná será assunto também na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. O deputado César Silvestre, membro da comissão, municiou-se de informações com o colega estadual do PPS, Douglas Fabrício, e vai propor a condenação da invencionice que a administração do Porto de Paranaguá está impondo aos exportadores de soja e outros grãos.
Engano 2 O Selo Qualidade Paraná foi criado por lei do governo estadual e é emitido por uma ONG o Instituto Genesis, de Londrina que cobra R$ 1,03 por tonelada supostamente inspecionada, mesmo sem autorização do exportador ou solicitação do importador. O faturamento do instituto está previsto em R$ 20 milhões por ano.
É pra valer? No início da sessão da "escolinha" de ontem, Requião constrangeu o pessoal da Copel acusando a empresa de se dispor, em edital, a pagar preço exorbitante pela publicação de seu balanço em jornal de grande circulação de Curitiba. A licitação, em pregão eletrônico, já ocorreu, mas o balanço ainda não saiu. Está em tempo, portanto, de Requião anular a licitação. Pergunta-se: vai anular?
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