A lambança a que foram submetidas as finanças estaduais nos primeiros quatro anos de mandato cobra agora o seu preço. O melhor que estava por vir nos quatro anos seguintes, segundo prometia a campanha de reeleição, acaba de ser medido com exatidão técnica e com dados oficiais.
Segundo os estudos realizados, os preços dos serviços públicos administrados pelo estado tiveram uma alta acumulada até novembro de 31,54%, ou seja, 21,2 pontos porcentuais acima da inflação nacional medida pelo INPC, de 10,38%, no mesmo período.
Em outras palavras, isto significa que a “inflação” dos preços públicos praticados pelo governo estadual ficou muito superior à já exorbitante inflação de dois dígitos que os brasileiros sofrem no bolso.
Para se ter ideia do quanto o “ajuste fiscal” do governo Beto Richa está doendo para o contribuinte:
• ICMS aumentou 50% (de 12% para 18%) em 90 mil itens de consumo popular;
• A tarifa de energia elétrica (Copel) subiu 58%;
• Água e esgoto (Sanepar) aumentaram 22%;
• Pedágio, 10% (ou muito mais em algumas praças);
• Custas de cartório, 33%;
• IPVA, 40%;
Segundo estudos da Federação das Indústrias, apenas a alta do ICMS representou, em média, um aumento dos preços em geral de 7,3%. Este porcentual equivale a um assalto ao bolso popular da ordem de R$ 800 milhões – dinheiro indiretamente tirado dos salários.
Não por outras razões, o Paraná se tornou recordista nos índices de inflação dentre todas as capitais. Enquanto a inflação nacional medida até outubro foi de 9,07%, em Curitiba ela chegou a 11,4%. O segundo maior índice ficou com São Paulo (10,23%), mas não poucas capitais ficaram abaixo da média: Rio de Janeiro (9,01%), Belo Horizonte (8,06%) e Salvador (7,66%) são alguns dos exemplos.
Em estudo encomendado pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), o economista Cid Cordeiro afirma que os “aumentos abusivos dos preços públicos fizeram parte da estratégia do governo para recompor o caixa aumentando a receita a partir das tarifas, taxas e carga tributária e também do repasse dos dividendos da Sanepar e da Copel”.
No ano passado, o governo fechou o caixa devendo cerca de R$ 3 bilhões, apesar do aumento da receita muito acima da inflação e apesar dos ralos investimentos em obras. E não esquecer do confisco da Previdência e, mais recentemente, do projeto aprovado pela CCJ da Assembleia Legislativa, ontem, de venda de 57 bens imóveis do estado considerados “inservíveis”, como – talvez como símbolo – a residência oficial do governador na Granja da Canguiri, retirada da lista na última hora.
Ortografia com “O”
Para quem abre as sessões da Assembleia com a expressão “sobre (sic) a proteção de Deus”, fez bem o presidente Ademar Traiano em contratar serviços de um professor para ensinar regras ortográficas para deputados e funcionários da Casa. Recentemente, Traiano entrou na Justiça contra colunista de um blog que duvidou que ele fosse capaz de escrever a letra “O” sem auxílio de um copo. O deputado perdeu a ação.
Coerência
A vice-prefeita de Curitiba, Mirian Gonçalves, do PT, foi a primeira do time de Gustavo Fruet a demonstrar coerência. Logo após a decisão do seu partido de se afastar a aliança com o PDT, ela pediu exoneração do cargo de secretária municipal do Trabalho – o que, segundo ela, não a impede de continuar colaborando com a administração.
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