"É possível politicamente. Se houver consenso, vamos votar."

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Do presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia, anunciando sua disposição de colocar na pauta desta semana a votação de aumento de salário para os parlamentares.

Reina mas não governa, tal como a rainha Elizabeth II. Foi mais ou menos a essa condição monárquica que o superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, foi elevado pelo Conselho da Autoridade Portuária (CAP) que, em sua última reunião, cassou as prerrogativas do superintendente de baixar ordens de serviço.

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Pode até elaborá-las, mas, antes, terá de submetê-las ao crivo do CAP, que, por sua vez, terá 30 dias de prazo para aprová-las ou não.

A decisão do CAP, tomada por deliberação dos 16 membros que representam a comunidade portuária, foi resultado da sucessão de atos considerados arbitrários baixados por Eduardo Requião. Segundo quem entende do riscado, elas contrariavam a lógica e o bom andamento das operações no porto.

Para o Conselho, todo o esforço do superintendente era para acabar artificialmente com a fila. Quer evitar que os caminhões se aglomerem em Paranaguá, mas em compensação eles ficam retidos nos locais de origem, provocando idênticos transtornos para o escoamento da safra. Mais inteligente do que reter caminhões, é melhorar a eficência das operações de descarga e destinação dos produtos, sem prejudicar o ritmo acelerado do transporte que se dá necessariamente no pico da safra.

Lembram os irritados conselheiros do CAP que, enquanto se sucedem ordens esdrúxulas, nada se faz para a modernização da estrutura portuária. Ela é a mesma de 20 anos atrás, muito embora o volume das exportações tenha mais que triplicado no mesmo período.

Uma das soluções é a construção do Cais Oeste – cujas obras, que já tinham dinheiro federal garantido, foram suspensas em 2003 e não mais foram retomadas. O governo estadual prometia construí-lo mais barato. Ficou apenas na promessa.

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Insistir no erro é...

O advogado César Ziliotto é desde ontem o novo diretor jurídico da Sanepar. Trata-se de um jovem profissional recrutado entre os assessores que trabalharam sob a chefia do ouvidor Luiz Carlos Delazari no comitê jurídico da campanha de Requião no ano passado. Na ocasião, ele se notabilizou nacionalmente ao pedir a quebra do sigilo telefônico de quatro jornalistas (três da Gazeta), sob o pretexto de descobrir quem eram as fontes das informações sobre o envolvimento do assessor palaciano Délcio Rasera em escutas telefônicas ilegais.

Teme-se que o novo diretor se sinta tentado a usar do mesmo expediente para descobrir quem vaza informações sigilosas da Sanepar.

A indicação de Ziliotto teria sido a contragosto do novo presidente do Conselho de Administração da empresa, Pedro Henrique Xavier. Há uma disputa de autoria quanto ao apadrinhamento que recebeu – se do ex-chefe Luiz Carlos Delazari ou se da ex-pretendente ao cargo, Flávia Mazur.

Olho vivo

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Redução 1 – Como previsto, a Câmara Municipal arquivou ontem o projeto do prefeito Beto Richa que previa a redução do próprio salário – de R$ 19 mil, o mais alto do país, para R$ 15 mil. Os vereadores seguiram a opinião da Procuradoria Jurídica da Câmara, que alegou ser inconstitucional mexer no salário durante o exercício do mandato. Argumentou com o princípio da anterioridade, isto é, que os proventos devem ser definidos sempre na Legislatura anterior para valer durante todo o período da seguinte.

Redução 2 – No fundo, o arquivamento seria devido ao corporativismo dos servidores da Câmara. Muitos deles ganham mais de R$ 15 mil e sofreriam também cortes, já que a legislação não permite salários maiores do que o do prefeito. Mais do que por suposta ilegalidade, o projeto caiu em razão da pressão dos funcionários da Câmara.

Redução 3 – Há farta jurisprudência produzida pelo STF e pelos tribunais de contas dos estados – incluindo o do Paraná – que diz ser legal, sim, a redução de salário durante o mandato. O ex-conselheiro do TC e atual chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, lembra, por exemplo, que o Provimento n.º 56/2005 do TC é bastante esclarecedor nesse sentido.

De volta 1 – Esta coluna referiu-se ontem à Tradener Ltda. – empresa paranaense que atua no mercado de energia – atribuindo sua propriedade ao engenheiro Ingo Hubert. A empresa contesta, e em nota assinada pelo seu presidente, Walfrido Victorino Avila, afirma que "o Sr. Ingo Hübert não é proprietário, não detém e nunca deteve qualquer participação societária, direta ou indireta, na Tradener Ltda."

De volta 2 – A nota publicada referia-se ao fato de a Tradener ter obtido ganho de causa em mandado de segurança contra a Copel. A estatal a havia impedido de participar de leilão de energia produzida pela termelétrica de Araucária.

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