O corretor Murilo de Almeida Rego e a mulher, Rogéria Costa Beber, depuseram nesta segunda-feira na Sub-Relatoria de Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios. O sub-relator, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), perguntou, entre outras coisas, por que o patrimônio e as operações realizadas por Murilo estão em nome da mulher.
Murilo Rego apresentou um atestado médico mostrando que é portador de distúrbio bipolar. A doença psiquiátrica, que até algum tempo era chamada de psicose maníaco-depressiva, não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos e tratamento terapêutico. O portador de distúrbio bipolar sofre alterações constantes de humor que variam da depressão à euforia.
Segundo o corretor, passar todo o patrimônio e os negócios para o nome da esposa foi a forma encontrada para "resguardar a família" e evitar que, num quadro de euforia, ele gastasse compulsivamente. Ele tem 85 imóveis no Rio de Janeiro, inclusive o apartamento de 400 metros quadrados em que mora num condomínio de luxo na Barra da Tijuca.
O corretor, que disse ser um "especulador" de mercado e não investidor, também foi questionado sobre seu relacionamento com políticos do PT e do PCdoB. Ele confirmou que doou R$ 20 mil para a campanha do vereador Fernando Gusmão (PCdoB-RJ), de quem se diz amigo pessoal. Rogéria, mulher de Murilo, trabalhou como secretária do vereador, entre 1999 e 2004.
O próprio Murilo foi assessor de então deputado federal e atual prefeito de Nova Iguaçu (RJ) Lindberg Farias, entre 1994 e 1996, quando este era do PCdoB. O corretor também disse que é amigo do ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno, há 10 anos.
- Sou amigo do Sereno desde a época que ele era da CUT (Central Única dos Trabalhadores), mas nunca tivemos negócios juntos - afirmou Murilo.
Ele também destacou que nunca realizou qualquer operação de mercado com fundos de pensão. O corretor atribuiu a evolução de seu patrimônio a ganhos imobiliários, à doação de R$ 1,4 milhão que recebeu do pai, o empresário Haroldo do Rego Almeida, no ano passado, e a ganhos obtidos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Encerrado o depoimento, o sub-relator Antonio Carlos Magalhães Neto afirmou, em entrevista coletiva, que "está claro que existem movimentações financeiras incompatíveis com a avaliação patrimonial da família declarada ao Imposto de Renda". O deputado comentou também as relações do ex-secretário de Comunicação do PT com a família Rego Almeida.
- Não tenho dúvida de que a relação entre Marcelo Sereno e a família Rego Almeida está concretizada com a influência dele nos fundos de pensão - disse.



