Rosane Ferreira, na unidade de saúde: ela não descarta disputar a prefeitura de Araucária em 2016.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Hoje não tenho como reclamar, vivo com dignidade e me sinto útil.

Rosane Ferreira, ex-deputada.
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Eu estava fazendo coleta de preventiva [exame ginecológico] e uma moça perguntou se eu era parente da deputada. Ela achou estranho eu estar ali.

Idem.

Rosane Ferreira acorda todos os dias às 6 horas. Depois de ler jornais e organizar as tarefas da casa, vai para o Centro de Saúde Shangri-lá, na periferia de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, onde bate ponto como enfermeira de saúde da família.

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Até 31 de janeiro, sua rotina era bem diferente. Ela era deputada federal pelo PV e foi candidata a vice-governadora na chapa de Roberto Requião (PMDB). Tinha decidido não tentar a reeleição para a Câmara e também não se elegeu ao governo. Diz que recusou três cargos comissionados que lhe ofereceram em órgãos estatais. Decidiu voltar para a base.

Concursada na prefeitura de Araucária, Rosane vai na contramão do que costuma acontecer com políticos sem mandato, que geralmente passam a ocupar cargos de confiança em vez de voltar ao cargo público de origem.

O ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), por exemplo, é servidor de carreira da Emater. Sem mandato eletivo, ele será empossado nesta segunda-feira (30) em uma diretoria do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Outro exemplo é o ex-deputado federal Dr. Rosinha (PT), que decidiu não tentar a reeleição em 2014. Ele foi indicado pelo governo federal a um cargo no Mercosul. Antes, atuava como pediatra em postos de saúde de Curitiba.

Como deputada, Rosane recebia três vezes mais que o salário atual, de cerca de R$ 6 mil. Além de ganhar mais, também não tinha outros gastos. Conta de telefone, gasolina, todas as despesas eram bancadas pela Câmara Federal. “Mas hoje não tenho como reclamar, vivo com dignidade e me sinto útil”, diz ela.

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Na unidade de saúde, Rosane coordena uma equipe de enfermeiros, incluindo uma médica cubana, que faz atendimento e procedimentos básicos. “Eu estava fazendo coleta de preventiva [exame ginecológico] e uma moça perguntou se eu era parente da deputada. Ela achou estranho eu estar ali.”

A enfermeira não descarta disputar a prefeitura de Araucária em 2016. Ela já tentou se eleger para a função em 2004, também pelo PV, mas ficou em segundo lugar na disputa. Enquanto isso, não se desligou da política. Faz parte do diretório nacional do PV e é responsável pela organização do partido no estado.

Nos mandatos que exerceu, Rosane nunca tentou a reeleição. Diz que é por convicção pessoal. “É injusto com outras pessoas disputar uma cadeira estando nela”, defende.