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Ação

Movimento estudantil do Paraná tem tradição de luta

Imensa multidão reunida na Boca Maldita reivindicando a realização das Diretas Já, em 12 de janeiro de 1984 |
Imensa multidão reunida na Boca Maldita reivindicando a realização das Diretas Já, em 12 de janeiro de 1984 (Foto: )

O movimento estudantil paranaense tem grande tradição de luta. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 1968, quando houve grandes mobilizações contra a introdução do ensino pago na Universidade Federal do Paraná (UFPR). "Houve enfrentamentos de rua, barricadas. O reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, ex-ministro de Castelo Branco, era o símbolo da política educacional do governo militar. Sua estátua chegou a ser derrubada, em demonstração de grande efeito simbólico", relembrou Reginaldo Dias.

Hagemeyer destacou que no final da década de 1960, os canais de informação e mobilização estudantil eram clandestinos. "Logo após o golpe militar de 1964, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Paranaense dos Estudantes (UPE) foram declaradas ilegais por Flávio de Lacerda, então ministro da Educação. Naquela época, a imprensa não noticiava denúncias de corrupção ou mesmo críticas abertas em relação à atuação do governo em função da censura. Por isso, o movimento estudantil realizava protestos nas ruas para chamar a atenção da opinião pública a respeito de questões que a imprensa não noticiava, criando assim um "fato político". Essa era uma das formas do movimento estudantil divulgar suas críticas junto à sociedade, bem como por meio de panfletos mimeografados e comícios relâmpago realizados em caixotes ou postes improvisados em palanque".

Outro período marcante foi o da Diretas Já, em 1984. "Foi um ano emblemático, houve intensas mobilizações em todos os quadrantes do estado, como greves com ocupação da reitoria na Universidade Católica, na UEM, na Faculdade de Paranaguá; movimento de boicote do pagamento das anuidades na Fecivel, entre outras ações. Isso contribuiu para a conquista da gratuidade nas estaduais, sacramentada em 1988", relembra Dias.

Já em 1992, durante o processo de impeachment do presidente Fernando Collor, Hagemeyer avalia a existência de uma clara ligação entre as denúncias de corrupção na imprensa, as mobilizações estudantis em favor da "Ética na Política" e o processo legislativo. "No Fora Collor houve uma "aliança tática" entre os movimentos estudantis e a grande imprensa, que deu grande destaque para o "renascimento do movimento estudantil", seguramente não por simpatizar com a ideologia socialista de seus dirigentes na época. Havia o objetivo comum de destituir o presidente, mas por diferentes motivos políticos e ideológicos".

Questionado sobre as diferenças entre os movimentos estudantis ao longo dos anos, Dias não acha que os grupos eram mais fortes e atuantes nas décadas passadas. "Considero apenas que era diferente. O país mudou. A pauta mudou. As formas de atuação devem ser coerentes com o ambiente institucional. Na época da ditadura, era uma luta maniqueísta e a pauta era bastante ampla. Não se deve ter a ilusão de que, naquela época, todo mundo era contestador e gostava de se mobilizar. Não era assim. Como as ações eram naturalmente ruidosas, criava-se essa impressão. Os estudantes eram heterogêneos e tinham visões diferentes do que acontecia. Hoje, com a conquista daquela pauta, há a combinação do enfrentamento direto, como ocorre agora, com a utilização de outras formas de ação".

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