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Em vídeo, Pizzolato critica a Procuradoria e o STF

Henrique Pizzolato, foragido na Itália após ser condenado no caso do mensalão, aparece fazendo a sua defesa em um vídeo publicado na internet. Nele, o ex-diretor do Banco do Brasil nega desvio de dinheiro para financiar a campanha do PT. Não se sabe a data da filmagem, feita em uma reunião de petistas. "Essa é a maior mentira", diz ele sobre as denúncias. O vídeo foi postado no YouTube nesta quarta-feira (20).

"Eu já não tenho mais o que perder na vida. Minha carreira já foi arrasada, minha família, meus bens --com a multa--, minha saúde. Mas eu lutei 33 anos para construir o PT e a CUT", acrescenta.

Pizzolato foi condenado a uma pena de 12 anos e 7 meses de prisão --mais o pagamento de R$ 1,272 milhão em multas-- por peculato (desvio de recursos públicos por servidor), corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a procuradoria, o réu autorizou um adiantamento de R$ 73 milhões do fundo Visanet para a DNA, a agência de Marcos Valério que tinha contrato de publicidade com o Banco do Brasil.

"Eu me vi envolvido com um evento que eu não tinha sequer conhecimento dele. Faz oito anos que eu e a minha família estamos tentando nos defender e eu estou sendo acusado de desviar dinheiro público da Visanet para financiar as contas do partido", diz. "Meu único trabalho era fazer a parte braçal das campanhas de publicidade", explica.

De acordo com o foragido, "nenhum centavo" dos R$ 73 milhões da Visanet foi usado para financiar campanha do PT. "Todo esse dinheiro está auditado, está comprovado, o processo contém dezenas e dezenas de documentos, troca de correspondências", afirma, ao recomendar um site que, segundo ele contém documentos de contabilidade. "São os documentos oficiais: o Banco do Brasil prestando conta para a Visanet, a Visanet prestando conta para o Banco do Brasil, as auditorias do Banco do Brasil --e o Joaquim Barbosa, os ministros, o Ministério Público em momento algum fazem referência a esses documentos", acrescentou.

Pizzolato ainda cita o laudo do instituto de criminalística da Polícia Federal que, segundo ele, lista os nomes das pessoas responsáveis por todos os atos referentes à Visanet no Banco do Brasil. De acordo com o condenado, todas as pessoas na relação da PF tinham vínculo com a gestão anterior (de quando Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, era presidente).

Mesmo assim, o então Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, teria escrito o seu nome e o do ex-ministro Luiz Gushiken, morto em setembro desde ano, ao falar no laudo na denúncia que encaminhou ao STF. "O nome do Gushiken e o meu nome não aparecem uma vez no laudo", afirma Pizzolato.

Pizzolato tem cidadania italiana e não deve ser extraditado pelo país europeu. Ele teve seu passaporte recolhido em 2012, mas conseguiu fugir para a Europa, tendo partido provavelmente da Argentina.

Pizzolato avalia se pede novo julgamento na Itália

Henrique Pizzolato está contratando advogado italiano para avaliar a possibilidade de pedir que a Justiça da Itália reexamine sua condenação. Mesmo com a confirmação da polícia local de sua entrada no país, Pizzolato só pretende aparecer publicamente depois que tiver resolvido essa questão, o que, avalia o grupo de amigos que o assessora no Brasil, poderá demorar até quinze dias. A possibilidade de sucesso de um pedido, por parte do Brasil, de extradição, é nula: o ex-diretor do BB tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana), e nenhum dos dois países extradita seus nacionais.

Um dos pontos não resolvidos é o papel do PT. Amigos de Pizzolato começaram a conversar com parlamentares do partido para examinar se a legenda poderia entrar com a ação na Itália ou participar dela de alguma forma. O objetivo é atingir o que os amigos do ex-diretor do BB consideram o principal pilar da Ação Penal 470 do Supremo Tribunal Federal (STF): o suposto desvio de dinheiro público da Visanet. Pizzolato sustenta que não houve desvio, nem os recursos eram do Estado, o que inviabilizaria a acusação de peculato (desvio de verba oficial por funcionário público). Antes da fuga, vários advogados examinaram o caso no Brasil. Cogitou-se recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos, mas ela não examina mérito de decisões, apenas sua forma.

Segundo amigos, Pizzolato estaria "positivamente surpreso" com a repercussão da documentação que tem sido divulgado a seu respeito. "Por que não quiseram ver os documentos antes?", teria perguntado.

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