
É necessário um novo tributo para financiar a saúde?
Não. Entendo que já existem fontes mais do que substanciais para alocar na saúde. Até para começar a discussão sobre um novo tributo ou alterar a taxação dos que já existem nós precisamos ter garantias de que os novos recursos iriam só para a saúde. Da forma como vem sendo proposto pelo governo, nós temos certeza de que não será assim.
Qual a solução para o financiamento do setor?
É importante lembrar que o governo bate sucessivamente recordes de arrecadação de impostos. Entre setembro e outubro, vamos ultrapassar tudo o que arrecadamos no ano passado. Governar é ter prioridades e cada governante define as suas. Eu espero que a presidenta Dilma mantenha o compromisso que ela fez durante o período eleitoral e mantenha como prioridade a área social e a da saúde.
A oposição tem como evitar a aprovação de uma nova CPMF?
Na realidade, essa não é uma luta da oposição. Existe um acordo do colégio de líderes dos partidos na Câmara que é contrário à criação de mais um imposto, que vai mais uma vez sobrecarregar a população. Nós entendemos que já temos uma carga tributária elevadíssima e que, portanto, temos condições de ter outras fontes de receita sem mais um novo imposto.
A proposta de que o recurso saia da legalização dos bingos é válida?
Não acredito que será discutindo abertura de jogo que vamos resolver o problema da saúde. Eu, particularmente, sou contrário à abertura dos jogos. Mas há outras formas: taxar o dinheiro especulativo no país. O que acontece: 70% dos dólares que entram no país são dinheiro especulativo. Nós podemos perfeitamente taxar esses recursos e vincular às áreas sociais. Outra opção é aumentar o imposto sobre o tabaco e as bebidas alcoólicas. Isso sim precisa ser rediscutido.
De uma maneira geral, a sociedade está disposta a entrar nessa discussão?
Não há clima moral ou ético para qualquer parlamentar exigir da sociedade mais um tributo. Nós somos o quarto país no mundo em carga tributária. Todos os países com uma carga similar à nossa colocam dinheiro suficiente na saúde. Precisa ser um compromisso do Congresso Nacional buscar fontes, mas não sobrecarregar mais uma vez a população.
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