A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, indicou nesta quinta-feira que o governo vai recorrer de decisão da Justiça que determinou que o governo suspendesse o corte de ponto de servidores públicos do sistema federal em greve.
"A greve é um direito dos trabalhadores, desde que assumam as consequências desse ato. (Cortar o ponto) não é uma punição excepcional. Nos parece despropositado alguém fazer greve e ganhar por isso". Segundo ela, assim como foi derrubada a liminar que impedia a divulgação dos salários dos servidores, o governo colocará a Advocacia-Geral da União para reverter a decisão.
"O governo está sintonizado para que as eventuais greves não tenham efeito importante sobre a vida das pessoas e nossa economia", disse Miriam, no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento. Segundo ela, desde o início do ano, o governo tem sinalizado que apresentará propostas às categorias só no fim de julho e início de agosto. Miriam destacou que as negociações seguem abertas.
"Temos que refazer contas para saber que proposta é possível fazer de maneira responsável aos servidores. Já fizemos uma proposta aos professores das universidades e institutos técnicos, em que achamos que será possível haver acordo".
No dia 6 de julho, o governo autorizou o corte do ponto dos servidores federais em greve. A orientação foi repassada pelo Ministério do Planejamento aos órgãos públicos. Nesta quarta-feira, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, defendeu que o corte de ponto é "obrigatório" e será adotado pelo governo. O ministro deixou em aberto a possibilidade de negociação para abono das faltas depois que a greve seja suspensa.
CUT preocupada
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) divulgou nota nesta quinta-feira repudiando o decreto do governo que permite a substituição de servidores em greve. "Tal medida atropela o processo de diálogo e vai na contramão da legitimidade de uma paralisação em defesa de salários e direitos. A greve é um direito constitucional", afirmou a entidade em nota.
"Esta inflexão do decreto governamental nos deixa extremamente preocupados. Reprimir manifestações legítimas é aplicar o projeto que nós derrotamos nas urnas", afirmou a entidade sindical.
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