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Segurança

Inteligência avisou secretaria sobre policiais chefiados por Lins ligados à máfia

Reportagem do jornal "O Globo" desta terça-feira mostra que a Secretaria de Segurança sabia há pelo menos dois anos que um grupo de policiais civis cobrava propinas e vendia proteção aos contraventores Rogério Andrade e Fernando Iggnácio. Segundo a Polícia Federal, esse grupo seria chefiado pelo delegado e deputado estadual eleito Álvaro Lins (PMDB). O delegado Marcelo Itagiba, então secretário de Segurança, recebeu da Subsecretaria de Inteligência (SSI) relatórios mostrando negócios e a evolução patrimonial de policiais, inclusive citando Lins, na época chefe de Polícia Civil, como cabeça do grupo. Como as investigações não andaram, um dossiê com todas as informações foi enviado à PF, dando início à Operação Gladiador, desencadeada na última sexta-feira.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) vai pedir a cassação do diploma do deputado estadual eleito Álvaro Lins . Ao comentar ontem as acusações contra Lins, a governadora Rosinha Garotinho foi lacônica:

— A Polícia Federal diz que tem provas, mas a própria Justiça federal diz que não há provas contra ele — disse Rosinha, referindo-se ao fato de a Justiça não ter aceitado o pedido de prisão contra o delegado.

Fontes consultadas pelo "Globo" não sabem dizer por que, sendo investigado, Lins não foi afastado do cargo de chefe de Polícia Civil. Também não souberam dizer se o caso foi levado ao Palácio Guanabara. Itagiba, agora deputado federal eleito, foi procurado pelo "Globo", mas não retornou as ligações. Já a Secretaria de Segurança informou que várias investigações e operações contra a máfia dos caça-níqueis foram realizadas tanto na gestão de Itagiba, como na atual, de Roberto Precioso.

Delegacias loteadas com fins eleitorais

O esquema de loteamento de delegacias do Rio — citado no inquérito da Polícia Federal, que resultou na Operação Gladiador — funcionava para arrecadar dinheiro para campanhas eleitorais. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro (Sindelpol), Vinícius George. O delegado acrescenta que, entre 1999 e 2005, as prisões de pessoas ligadas à contravenção despencaram de 3.441 para 56, uma queda de 98,3%.

O delegado afirma que o esquema já havia sido detalhado em relatório da Subsecretaria de Inteligência (SSI), mas por influência do ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, nunca foi investigado pela Corregedoria da corporação. Deputado estadual eleito, Lins é apontado em inquérito da PF como suposto chefe do esquema, que tem com suporte quatro inspetores conhecidos como "inhos". Três deles — Fábio Menezes de Leão, o Fabinho, Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho, e Hélio Machado da Conceição, o Helinho — tiveram as prisões decretadas pela Justiça federal.

— Essas nomeações têm como objetivo arrecadar dinheiro para caixa dois de campanha política e o controle coercitivo de curral eleitoral — assegura o delegado, que vem denunciando a existência do esquema há pelo menos dois ano.

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