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Entrevista

“Já temos o PFL, mas dependemos de uma aliança maior”

Festejado por lideranças dos partidos que podem compor uma superaliança para dar suporte à sua candidatura a presidente da República, o tucano Geraldo Alckmin (PSDB) teve o cuidado de não macular possíveis apoios políticos. Desconversou quando questionado sobre a dificuldade de reproduzir no Paraná a tríplice aliança pretendida nacionalmente entre PSDB, PFL e PMDB, mas deixou claro que precisa buscar o maior número de apoio possível para ter chances de derrotar o PT. "Ele sabe que é hora de puxar para dentro", disse um entusiasta da candidatura do tucano.

No percurso entre o aeroporto de Londrina até o parque de exposições, o presidenciável dividiu o microônibus com um grupo restrito e suprapartidário: o senador Alvaro Dias (PSDB), os deputados federais do PSDB Gustavo Fruet e Luiz Carlos Hauly, o vice-presidente do PFL do Paraná, deputado estadual Durval Amaral e o deputado estadual José Maria Ferreira (PMDB). Durante o trajeto, Alckmin falou por telefone com exclusividade à Gazeta do Povo.

Como estão as conversas para a formação da tríplice aliança entre PSDB, PFL e PMDB? Nós já temos uma aliança com o PFL. Já o PMDB optou por ter candidato próprio e, se isso não for modificado, temos uma impossibilidade jurídica por causa da verticalização. Temos muito respeito pelo PMDB, mas não queremos interferir nas questões internas do partido. Até porque já pertenci ao antigo MDB e só saí para fundar o PSDB, que é um partido muito forte no Paraná. Elegemos o prefeito de Curitiba, Beto Richa, outras prefeituras de grandes cidades, uma bancada estadual muito ativa e os melhores deputados federais. Inclusive fiz aqui uma homenagem ao trabalho dos paranaenses nas CPIs do Congresso Nacional: o Osmar Serraglio (PMDB), o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) e o senador Alvaro Dias (PSDB).

O senhor vem participando pessoalmente das conversas com o PMDB?Quem tem participado é o presidente nacional Tarso Gereissati. Eu conversei algumas vezes com o Michel Temer, com o Garotinho e com o Germano Rigotto. Respeitamos o PMDB e vamos aguardar a decisão interna do partido sobre a candidatura à Presidência da República.

Essa possibilidade de atrair o PMDB na coligação preocupa o PFL do Paraná, que sempre foi oposição ao PMDB, e também o PSDB, que defende uma candidatura de oposição ao governo do estado. O senhor considera possível juntar os três partidos no mesmo palanque?Já temos o PFL, mas dependemos de uma aliança maior. O Brasil tem um quadro multipartidário, é preciso uma aliança para governar e um projeto ambicioso, de forte crescimento.

E sua previsão é de definir quando essa aliança?Daqui a 20 dias o quadro estará mais claro. A verticalização cria problemas para alianças e acredito que teremos um número menor de candidatos a presidente. Por outro lado, vamos dar um bom passo com a cláusula de barreira. Os 16 partidos que existem hoje no país podem ser reduzidos a apenas seis. Se tivermos seis partidos fica mais fácil colocar em prática a fidelidade partidária.

Essa vinda ao Paraná é uma forma de medir a temperatura dos partidos que devem estar aliados ao PSDB?Vim participar da exposição agropecuária de Londrina para discutir as perspectivas para o setor rural. É claro que acaba tendo repercussão política. Tivemos aqui todos os tucanos, o PFL, PMDB, PP, vereadores, prefeitos, deputados estaduais, o senador Alvaro Dias e lideranças do setor produtivo. O café de Londrina é muito bom e me identifico com o povo do Paraná. Além de estados vizinhos, somos irmãos de identidade porque temos um povo que gosta de trabalhar. Sou muito ligado ao setor de agronegócio, sempre morei no campo, meu pai era veterinário e só mudamos para a cidade aos 16 anos. Nunca vimos uma crise dessa gravidade na agricultura, que está totalmente fora do ponto de equilíbrio. O governo do PT, pelo terceiro ano consecutivo, vem provocando essa crise. Tenho destacado muito a questão da política econômica, a necessidade de um ajuste condizente com o crescimento, juros mais baixos, rigor fiscal e qualidade do gasto público, medidas que vou incluir na minha plataforma de governo.

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