Um acervo de obras históricas dos séculos XVI, XVII e XVIII de valor inestimável foi furtado de uma sala de acesso restrito da Biblioteca Mário da Andrade, no centro de São Paulo. O crime foi identificado na semana passada, quando integrantes da direção da biblioteca deram pela falta de livros e telas com gravuras de artistas europeus, como Johann Steinmann, Johan Rugendas e Jean Baptiste Debret, além de um livro de orações de 1501.
O furto revela a precariedade do esquema de segurança do acervo, já que não existe sistema de circuito interno de vídeo nem vigias que cuidam especificamente do setor de obras raras, alvo dos ladrões. O o delegado seccional do centro, Mario Jordão, abriu inquérito para investigar o sumiço. Há suspeita de participação de funcionários do prédio, já que apenas quatro deles teriam acesso às chaves do setor.
Não se sabe exatamente a data do crime, mas, segundo a polícia, a ação teria sido feita por ao menos duas pessoas, que tiveram horas para finalizar a operação. Para chegar à sala de obras raras, os criminosos tiveram de passar pela portaria principal da torre da biblioteca e abrir o cadeado do portão que dá acesso ao local. Lá, foi aberto um armário de aço onde são guardadas as obras. Sem deixar sinais de arrombamento, eles furtaram um álbum de litografias aquareladas de Steinmann (de 1839), 58 gravuras de Rugendas, outras 42 de Debret e o livro de orações de 1501.
Na quinta-feira, o diretor da biblioteca, o bibliotecário-chefe e representantes de uma empresa de artes estavam reunidos para definir obras que seriam colocadas numa exposição. Durante a busca por algumas delas, os funcionários constataram que um livro onde estava parte do acervo de Rugendas e Debret tinha várias páginas arrancadas com uso de estilete. Dois álbuns também haviam sumido.
Para o diretor da biblioteca, Luis Francisco Carvalho Filho, a ação teria sido orquestrada por uma quadrilha especializada em furto de obras de arte.
- As obras foram escolhidas. Eles sabiam o que procuravam - disse Filho.
O diretor não afastou funcionários, mas determinou o levantamento das obras e comunicou o fato à polícia e às secretarias municipais de Justiça e Cultura. Parte das obras furtadas estava exposta num site, o que indicaria escolha prévia dos objetos levados.



