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Ronilson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário de Arrecadação da Prefeitura de São Paulo apontado como líder da máfia do Imposto sobre Serviços (ISS), comprou um Mercedes Benz S 500 para o empresário Marco Aurélio Garcia, segundo documentos obtidos pelo Ministério Público Estadual na investigação sobre a máfia, acusada de causar prejuízo de R$ 500 milhões à Prefeitura. O veículo, avaliado em R$ 150 mil, foi apreendido nesta terça-feira, 8, depois de ser entregue pelos defensores de Garcia no processo.

Marcio Sayeg, advogado de Ronilson, nega a transação. "Meu cliente desconhece isso", afirmou o defensor. "Essa denúncia só está sendo feita agora porque estamos em ano eleitoral", enfatizou. Marco Aurélio Garcia é irmão de Rodrigo Garcia, pré-candidato a deputado federal pelo DEM e, até segunda-feira, 6, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico da gestão Geraldo Alckmin (PSDB). O pré-candidato foi, durante anos, principal aliado político de Gilberto Kassab (PSD), ex-prefeito da capital que chefiava o executivo municipal na época em que a quadrilha atuava.

A descoberta do Mercedes ocorreu quando os promotores que investigam a máfia encontraram dois depósitos bancários feitos por Ronilson a uma empresa da capital chamada Golden, somando R$ 155 mil, no ano de 2012. A suspeita era que a transferência pudesse ser uma tentativa de lavar dinheiro obtido com a propina. Os comprovantes faziam parte do material apreendido em outubro do ano passado, quando a quadrilha foi descoberta e presa temporariamente.

Em depoimento, no entanto, responsáveis pela empresa negaram qualquer irregularidade. Informaram que o depósito referia-se à venda de um veículo e apresentaram o documento de transferência do Mercedes. O documento tinha como comprador do carro uma empresa chamada LZG Consulting. A empresa tem Garcia como um dos sócios. Além disso, os promotores observaram que o endereço de registro dela na Junta Comercial é justamente o imóvel apelidado de "ninho" - uma sala no Largo da Misericórdia, região central, que era usada, segundo o MPE, como escritório pelos integrantes da máfia. O imóvel chegou a ser grampeado com escutas ambientais antes de o caso vir à tona.

Lavagem.

A transferência é vista pelo promotor responsável pelo caso, Roberto Bodini, como mais uma prova da ligação de Garcia com a máfia. O aluguel do "ninho" foi feito com o nome do empresário. Há também uma investigação sobre a venda de quatro apartamentos em um flat da região central feita por Garcia para três dois seis principais servidores investigados por participação na máfia. Bodini espera que todos os indícios possam resultar em uma acusação de lavagem de dinheiro contra Garcia.

Segundo as investigações, os servidores cobravam propina de empresas no momento da quitação do ISS para a emissão do habite-se. Eles calculavam o imposto devido e cobravam metade do valor sob forma de propina. Desse montante, recolhiam cerca de 10% para os cofres municipais, adulterando o valor do imposto, e ficavam com o restante. Como subsecretário. Ronilson é apontado como líder da máfia, que tinha os fiscais Eduardo Horle Barcellos, Carlos Augusto Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardoso de Magalhães como subordinados, além de Amilcar Cançado Lemos e Fábio Remesso operando paralelamente, de acordo com as investigações.

Depois de inicialmente negar a existência do carro, segundo o MPE, a defesa de Garcia entregou o veículo nesta terça-feira, que foi apreendido na Delegacia de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que atua com o MPE na investigação de 410 empreendimentos suspeitos de pagar propina à máfia. O advogado de Garcia, Rogério Cury, foi procurado em seu celular e seu escritório, mas não foi localizado.

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