Daniel Dantas: mineradora foi constituída a partir de uma empresa cujo sócio majoritário é acusado de ser laranja em 700 empresas| Foto: Marcelo Ximenes/AE

A empresa mineradora GME4 do Brasil Participações e Empreendimentos S.A., do grupo Opportunity, de Daniel Dantas, está sendo investigada pela Polícia Federal por indícios de participar de um esquema de lavagem de dinheiro, segundo consta do inquérito da Operação Satiagraha. A GME4 foi formada a partir de uma empresa cujo sócio majoritário, Eduardo Duarte, também é citado no inquérito como "sócio de mais de 700 empresas, havendo diversos indícios de que se trata de mero ‘laranja’".

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Documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo mostram que a EDSP90 Participações S/A foi criada em 15 de março de 2007 com um capital social de R$ 1.000. Menos de três meses depois, em assembléia realizada em 1º de junho, mudou de nome para GME4 e passou a receber aportes de capital que variaram de R$ 500 mil a R$ 8 milhões.

A GME4 diz que a medida é legal e foi adotada para "ganhar tempo em face do longo e burocrático processo de abertura de empresas no Brasil". Segundo nota da empresa, o procedimento é "absolutamente legal" e "largamente adotado no mercado". A assessoria da GME4 diz ainda que os serviços de Eduardo Duarte são conhecidos no eixo Rio-São Paulo.

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Pela diretoria da GME4, segundo registros da empresa na Junta Comercial, já passaram três dos indiciados pela PF na Operação Satiagraha por gestão fraudulenta no controle do Opportunity Fund, de Dantas: Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro e Norberto Aguiar Tomaz.

Procurado, Eduardo Duarte não foi localizado pela reportagem. Sua sócia Simone Bürck Silva disse que não é "laranja" e que a criação de empresas para serem adquiridas por terceiros foi um serviço iniciado em 1998, com o objetivo de "desburocratizar" e "agilizar" a criação de empresas. "Nós não perguntamos, quando vendemos uma empresa, se quem está comprando tem intenção de dar golpes", disse Simone. A sócia da Eduardo Duarte Consultores Associados, que tem escritório no centro do Rio de Janeiro, afirmou ainda que conhece Dantas "apenas pela televisão".

"Eu entendo que "laranja’ é quem entra numa sociedade sem saber o que está fazendo, o que não é nosso caso", disse Simone. Segundo ela, a Polícia Federal já a chamou "umas duas vezes" para prestar esclarecimentos. "Nesse caso do Dantas ainda não fomos chamados."

Questionada se existem outros serviços semelhantes ao de Eduardo Duarte no mercado, Simone disse: "A gente não pesquisa isso".

"Pelo fato de o Eduardo ser uma pessoa séria, correta, ele é muito conhecido. Aqui a gente dorme tranqüilamente. Posso ser chamada, indiciada. Minha vida é limpa."

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