A criação do Partido Social Democrático (PSD) é reflexo do sistema político brasileiro, na opinião de analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo. Segundo eles, a nova legenda é oportunista ao ser criada para beneficiar políticos descontentes com suas legendas e que pretendem migrar para uma nova sigla sem perder o mandato.
A legislação eleitoral determina, segundo o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o mandato pertence ao partido e em uma eventual mudança de legenda os políticos correm o risco de serem forçados a deixar os cargos para os quais foram eleitos. Uma brecha na legislação eleitoral, porém, permite a migração de partido sem a perda do mandato no caso da criação de uma nova legenda.
Para os cientistas políticos, o PSD capitaneado nacionalmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab reproduz os vícios da maioria dos partidos nacionais, como a falta de base social, de uma linha ideológica definida, e de um claro programa de governo e de poder. Essas características fragilizam a ressonância política que podem ter as estruturas partidárias e favorecem o fisiologismo ou seja, o uso da legenda em busca de vantagens pessoais dos filiados.
O cientista político Wilson Ferreira Cunha, professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), critica a falta de orientação ideológica do PSD e a adesão do novo partido à base de apoio ao governo federal mesmo antes de ser oficialmente reconhecido. "Para isso não precisava criar um novo partido. Mas, como é um partido forte [que deve ter a adesão de vários parlamentares], vai querer um bolo maior de participação na distribuição de cargos no governo."
O professor de Ética e Filosofia Política Elve Cenci , da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que a estruturação do PSD em torno de "nomes", e não em cima de uma proposta ideológica e de governo, é um grave problema da nova legenda. "Em tese, um partido tem um grupo social como base de sustentação. No caso do PSD, a base é uma fuga para escapar da fidelidade partidária." Segundo ele, essas características aumentam a "fragilidade do sistema partidário brasileiro".
Governabilidade
Samira Kauchakje, cientista social e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), enxerga o PSD disputando o espaço com o PMDB e com o PSDB como um partido de "centro". Para ela, o novo partido surge como reflexo da formação de novas lideranças que têm dificuldades de conseguir espaço nos partidos tradicionais.
Porém, a professora acredita que a fragmentação cada vez maior da base governista no âmbito federal poderá trazer dificuldade para a governabilidade, já que um governo de coalizão precisa negociar vantagens com diversas legendas para governar com o apoio do Congresso Nacional. "A multiplicidade em excesso pode trazer mais problemas para a governabilidade", afirma.
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