
O ex-governador e empresário Paulo Pimentel, de 79 anos, lançou ontem sua biografia, que narra momentos decisivos da história paranaense e brasileira. "Paulo Pimentel, Momentos Decisivos", obra escrita pelo jornalista Hugo Santana, detalha períodos relevantes e marcantes da vida pública de Pimentel, que governou o Paraná entre 1966 e 1971.
O livro traz registros (fotos e depoimentos) inéditos e intrigantes, como o ocorrido em 1969, quando o então presidente do Brasil Arthur da Costa e Silva ficou três dias no Paraná e, do Palácio Iguaçu, despachou com todos os seus ministros. Naquele período, Pimentel mudou-se para a residência oficial do governo na Granja do Cangüiri para que sua casa em Curitiba, na Rua Presidente Taunay, fosse ocupada pelo presidente.
"No dia 8 de dezembro de 1968, cinco dias antes do Ato Institucional número 5 (AI-5), eu fui à cidade de São Paulo receber o título de cidadão honorário do município e fiz um discurso em prol da democracia. O fato causou repercussão e eu corria o risco de ser cassado do cargo de governador. Fui, então, a Petrópolis, (região serrana do Rio de Janeiro) falar com o presidente", contou Pimentel, revelando que Costa e Silva chegou a ser grosseiro com ele.
"Disse a ele que precisávamos um do outro. Ele me disse que não precisava de mim. Mas, 20 dias, depois resolveu vir ao Paraná. Em sua estada aqui, ele me revelou que fecharia a Assembléia Legislativa de São Paulo e a daqui. Contestei e ele fechou apenas a do estado vizinho", lembrou, com orgulho, o ex-governador, que ficou muito próximo de Costa e Silva. "Com raiva dessa minha suposta amizade com o Costa e Silva que o presidente Emílio Garrastazu Médici passou a não gostar de mim. Os dois eram inimigos."
Em sua biografia, Paulo Pimentel trata ainda de momentos mais recentes da política estadual. Sua insatisfação com o governador Roberto Requião não ficou de fora do livro. O ex-governador, que apoiou Requião em suas campanhas e tornou-se presidente da Copel a convite do atual governador, não esconde que achou que o atual mandato de Requião deixa a desejar. O livro em breve deve estar à venda em livrarias e em bancas de jornais.



