Copom eleva taxa de juros para 14,25% ao ano. Esse é o maior patamar desde a crise do governo Dilma.| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
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A taxa Selic chegou a 14,25% a.a. mesmo patamar do governo Dilma Rousseff. Para quem acompanha esta coluna, não há nenhuma surpresa. Há tempos, aponto as semelhanças entre o governo Lula 3 e Dilma 1.

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As políticas econômicas do atual governo são muito parecidas com as adotadas pelas administrações petistas no passado. Isenções fiscais, crédito subsidiado, aumento do gasto público são exemplos de medidas empregadas recorrentemente pelos governos do PT.

A ideia é estimular o crescimento econômico a qualquer custo pelo protagonismo do Estado, com políticas fiscais e monetárias expansionistas, bancadas pelos recursos do Tesouro Nacional - impostos e empréstimos da sociedade para o governo federal. 

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Sob essa lógica, ampliam-se os benefícios sociais (bolsa família e auxílio gás, por exemplo) para estimular o consumo. A intenção é que, com mais consumo, as empresas produzam mais, gerando mais renda e emprego.

Também se concede mais crédito subsidiado a fim de aumentar os investimentos das empresas e estimular a produção. Bancos estatais disponibilizam linhas de financiamento para alguns setores, com taxas de juros menores do que a Selic, para fomentar o investimento. Como não existe almoço grátis, o Tesouro paga essa diferença de juros com o dinheiro do contribuinte.  

A realização de obras públicas via empresas estatais, como Petrobras e Itaipu, também é uma forma de estimular a economia, enquanto o governo demanda mais produção das empresas.

De fato, essas medidas trouxeram elevação da produção de bens e serviços (PIB). Entretanto, esse crescimento foi acima do que a economia consegue absorver. Tecnicamente, a demanda agregada (consumo das famílias, investimento das empresas, gastos do governo e exportações líquidas) foi superior à oferta agregada (recursos humanos, produtividade da mão de obra, tecnologia e infraestrutura), gerando aumento nos preços.

Basicamente, foi um crescimento econômico induzido pelo governo federal com estímulos fiscais e monetários, ocasionando mais inflação, na medida em que o PIB efetivo subiu acima do PIB potencial.

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Além disso, como o aumento do gasto do Estado trouxe elevação da dívida pública, o risco de crédito do governo federal aumentou, trazendo o dólar para um patamar mais alto. Como há muitas commodities e insumos do processo de produção cotados na moeda norte-americana, os preços de vários produtos também subiram para consumidores e empresários.

Nesse cenário, resta ao Banco Central defender o valor da moeda, elevando a taxa de juros, a fim de conter a alta dos preços. A autoridade monetária não faz isso porque não gosta dos empresários e do consumidor; pelo contrário, sobe a Selic para esfriar uma economia artificialmente aquecida pelo governo, que gera inevitavelmente mais inflação, corroendo o poder de compra da população.

O Banco Central só altera a taxa Selic em resposta à mais inflação. Portanto, a culpa para o aumento dos juros não é do Banco Central, mas de quem gera inflação, ou seja, o governo federal com suas políticas fiscais e de crédito expansionistas.

A má notícia é que o governo Lula não entende essa dinâmica, e dobra a aposta com medidas que podem gerar mais inflação, como o aumento real do salário mínimo, liberação do FGTS, elevação do crédito subsidiado e isenções fiscais. 

Num primeiro momento, essas medidas podem ser positivas, trazendo estímulos para a economia e ganhos para o trabalhador. Mas, num segundo momento, como são estímulos acima do que a economia consegue absorver, vem mais inflação, e todos os benefícios são anulados pela corrosão do poder de compra – processo similar ao que observamos hoje: mercado de trabalho aquecido e população insatisfeita com a alta dos preços.

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Mas, na lógica populista, o que interessa é conceder benesses para a população, estimular a economia artificialmente, para ganhar as próximas eleições

É dar mais benefício no presente, trocando por mais inflação no futuro.

No entanto, o futuro da nação não importa. O que interessa mesmo é ganhar a próxima eleição, e permanecer no poder, mesmo que as ações do governo tragam mais endividamento e inflação.

Se a inflação subir mais, procura-se um culpado: a ganância dos empresários, a safra agrícola, o Trump, a herança do Bolsonaro, etc. E, quando o Copom reagir com aumentos da Selic para conter a inflação, culpa-se o próprio Banco Central. 

Essa é a fórmula do populismo e do crescimento não sustentável: ganhar as eleições, destruir a economia no médio e longo prazo e culpar os outros pelos seus próprios erros.

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