
O recente anúncio do Presidente da França em propor uma reforma política que tem, entre as medidas, a redução do número de deputados da Assembleia Nacional Francesa revela a dimensão da crise e a falta de soluções para a política de uma das mais importantes democracias do ocidente.
Macron se vale de sua popularidade e da ampla maioria obtida entre os deputados para propor medidas de eficácia questionável. Afinal, qual o projeto de Macron? Fala-se em reforma trabalhista, previdenciária e política. Por circunstâncias singulares, é muito possível que consiga aprovar todas essas medidas, mas há dúvidas se essa popularidade momentânea vai durar.
O novo presidente francês chegou como uma surpresa, e conseguiu surfar no descrédito da política tradicional alcançando grande notoriedade por ser a expressão da novidade em todos os sentidos. Mas os fatores que deram descrédito aos políticos tradicionais persistem: crise econômica, crise de segurança, crise política e crise de sociedade. A fragilidade dos elementos que sustentam Macron sugere que, em breve, sua popularidade vai cair, tão logo seu governo seja desafiado a enfrentar os problemas graves.
A preocupação de Macron em propor uma medida tão irrelevante e circunstancial, como a redução e o controle do número de membros da Assembleia Nacional, revela que o novo presidente já antevê os próximos passos da sua própria crise: não quer correr o risco de perder espaço na política representativa e, por meio de medidas estritamente formais, quer transformar a política em uma matemática que parece dar segurança a quem está no topo, mas tende a não resistir às imponderáveis indignações populares. Esse nível de debate na cúpula de uma das mais simbólicas democracias do mundo escancara a crise do mundo ocidental.
Outro fato marcante e sintomático desta crise das democracias ocidentais é a atual situação da presidência dos EUA. Trump nos mostra o nível a que chegou a política norte-americana, desafiando a paciência da opinião pública com suas cenas de agressão à mídia e a difusão de mentiras oficiais. Nesse contexto, cresce o sentimento público de descrédito da política e até mesmo da democracia, valor que seria fundamental para as nossas sociedades. A situação nos desafia a buscar uma solução sem abrir mão dos princípios e valores básicos dos nosso mundo.
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