Marisa, minha comadre favorita
Na nossa última conversa na janela, a dúvida quanto à adesão ao transporte coletivo ficou no ar. O João Paulo, um dos assíduos leitores deste blog, acha que nosso ceticismo tem fundamento. O Marcio lembra que o problema passa também pela qualidade do serviço oferecido.
Pondo tudo isso na balança, pergunto a você, comadre — que sei que faz sua lição de casa vindo de ônibus para o trabalho — e também a quem acompanha nosso papo: será que todos os curitibanos, inclusive (e principalmente) os que estão contra as obras para a melhora do trânsito, estão dispostos a ir trabalhar, estudar ou fazer compras de ônibus?
Para ir se acostumando à mudança de hábito necessária diante do iminente estrangulamento do trânsito (com ou sem obras, a diferença será apenas o tamanho do caos) e também por questões ambientais, recomendo a quem não está acostumado ao transporte público que deixe o carro de lado por uma única semaninha, a título de treinamento. Nem que seja para dizer: “Eu consigo.”
Não posso prometer que não vai doer nada — porque vai. Como você, comadre consciente, usuária do expresso Santa Cândida-Pinheirinho, teria muitos pontos se houvesse um programa de milhagem nos ônibus urbanos e, por isso, tomo a liberdade de deixar alguns avisos para os neófitos:
– Antes de mais nada, saia de casa bem mais cedo do que você sairia se estivesse de carro. Parece óbvio, mas nunca é demais alertar quem tem pouca experiência no assunto: ônibus atrasam, quebram e também estão sujeitos a engarrafamentos.
– Ao contrário do que recomenda a lógica, na maior parte das vezes as pessoas que estão na estação-tubo fazem tudo para entrar no ônibus antes que os que estão dentro dele saiam. Saiba esperar, mas não tanto a ponto de perder a condução.
– Também contrariando o bom senso, os bancos reservados a idosos, gestantes e pessoas com criança de colo raramente estarão ocupados por usuários com esse perfil se o veículo estiver cheio (e quase sempre estará). Já que você estará estreando sua vida como usuário do transporte coletivo, aproveite para cultivar bons hábitos e resista à tentação de ocupar esses lugares indevidamente.
– Não, o ônibus não pára onde você quer. Ele só pode fazer isso nas paradas pré-determinadas. E, pela lei de Murphy, o endereço que você procura estará a pelo menos três quadras. Tomara que o tempo esteja bom ou que você tenha levado guarda-chuva.
– Nos horários de pico, esteja preparado para relembrar na prática de uma importante lei da Física: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. A lição será ainda mais contundente nas linhas do expresso e do Interbairros.
Se depois do primeiro dia o neo-usuário achar a experiência muito difícil, recomendo, ainda assim, que resista ao carro. Não dá para ir jogando a toalha assim, após o primeira round, não acha, comadre?
Pessoalmente, indico uma boa caminhada. Quem preferir a bicicleta, como recomendou nossa amiga e leitora Silvia, terá de se haver com o problema de estacioná-la.
Termino mandando dois abraços: um, claro, para você, comadre, e outro para o Thiago, que não suportando mais o tema da praça sugeriu que os moradores do Batel se reunissem novamente, mas para fazer uma campanha do agasalho. É uma ótima idéia.
Sandra