Final da Libertadores em Madri parece peça do Teatro do Absurdo

O nome ônibus, com origem no latim “omnibus” – para todos –, começou a ser usado para designar veículos de transporte coletivo no início do século dezenove na França.
Mais curioso, no entanto, é o emprego da palavra “metáfora” para se referir a ônibus e outros veículos na Grécia. No seu cerne, está a ideia de transferência ou transporte.
A metáfora é uma figura de linguagem, que permite a analogia entre coisas distintas.
Reporto-me a ela por conta do absurdo provocado pela torcida do River Plate ao apedrejar o veículo que conduzia os jogadores e a comissão técnica do Boca Juniors, na entrada do estádio Monumental de Nunes, em Buenos Aires.
Naquele local seria realizada a segunda partida da decisão da Copa Libertadores da América.
O dano causado pela atitude insana dos torcedores do River Plate resultou na suspensão do jogo.
As discussões se transportaram para os gabinetes esportivos, políticos e policiais da capital argentina na tentativa de identificar os responsáveis pela selvageria e, sobretudo, pela falta de segurança nas cercanias da praça onde se realizaria a grande final.
A inusitada pendenga acabou na sede da Conmebol, em Assunção. Foram determinadas punições ao clube River Plate e marcada a partida para o estádio Santiago Bernabeu, em Madri.
O clássico mais tradicional do futebol argentino, em disputa do troféu continental mais ambicionado, programado para ser disputado em uma capital europeia.
A resolução parece ter sido inspirada por uma peça de Ionesco, expoente do teatro do absurdo.
Pois bem. Assim as duas finais dos campeonatos continentais serão realizadas em Madri e em Curitiba.
Passemos a Copa Sul-Americana na qual o primeiro embate em Barranquilla foi realizado com total civilidade, cordialidade e esportividade. Junior Barranquilla e Atlético empataram em 1 a 1.
Agora, quarta feira, conheceremos o campeão sul-americano na Arena da Baixada.
O confronto entre brasileiros e colombianos esta cercado de grande expectativa e aparente equilíbrio técnico.
Porém, é cada vez mais comum ver no mundo do futebol a confusão entre estatística e profecia.
Estatísticas retratam tendências do passado, não resultados do futuro. Quando se diz que um time tem xis por cento de chance de alcançar o título de campeão, o que se está dizendo é que a repetição do comportamento médio até ali, vitórias no torneio, fora ou dentro de casa, pode indicar uma tendência.
Ou seja, como qualquer torcedor no bar, o matemático está dizendo que determinado time leva mais ou menos vantagem conforme o retrospecto até aquele momento.
Sendo assim, como se tornou praticamente imbatível jogando dentro de casa nos últimos meses, pelo Campeonato Brasileiro e pela Copa Sul-Americana, o Furacão carrega a seu favor o resultado estatístico.
Mas daí a pretender adivinhar o placar antes de a bola começar a rolar é muito mais difícil.
Ocorrem tantas incidências durante um jogo de futebol que se torna impossível qualquer tipo de previsão com alguns teores de profecia.
Por exemplo, se o zagueirão colombiano não tivesse desperdiçado a penalidade máxima ou se o goleiro Santos não tivesse operado duas ou três defesas prodigiosas, a história da final poderia ser escrita de forma diferente.
Portanto, é recomendável esperar pela disputa da quarta para descobrirmos quem será o novo campeão da Copa Sul-Americana.
Claro que nada impede a euforia da torcida atleticana que lotará o estádio ou o colorido rubro-negro pelas ruas da cidade e do estado.
O torcedor tem todo o direito de fazer a sua festa antes, durante e depois do jogo.
O analista tem toda a razão de manter certa cautela por conta dos sortilégios da bola.
Antônio Carlos Carneiro Neto nasceu em Wenceslau Braz, cresceu em Guarapuava e virou repórter de rádio e jornal em Ponta Grossa, em 1964. Chegou a Curitiba no ano seguinte e, mais tarde, formou-se em Direito. Narrador e comentaris...