Um ano de ilusões e frustrações no futebol do Brasil

Depois dos humilhantes 7 a 1 da Alemanha sobre a seleção, em pleno Mineirão, esperava-se radical transformação no futebol brasileiro.
Nada mudou.
Até, pelo contrário, os cartolas não só mantiveram o mesmo status como aceitaram antecipar em um ano a eleição na CBF para atender aos interesses dos atuais gestores.
Passados quatro anos a seleção chegou a Copa do Mundo na Rússia com promessas de renovação e, sobretudo, de reconquista do título mundial.
O banho de bola que Tite e comandados levaram da Bélgica, vejam só, da Bélgica, durante o primeiro tempo da partida, entrou para a história de uma das mais desastradas atuações do time que ostenta cinco estrelas de campeão sobre o escudo na camisa verde-amarela.
Como estamos chegando ao final de um ano de ilusões e frustrações no futebol, é tempo de avaliações, reflexões e projeções.
O torcedor tem todo o direito de indignar-se com o baixo padrão técnico da maioria absoluta das equipes. Assim como deve estar muito frustrado com o fracasso dos nossos representantes na Copa Libertadores da América.
A dor aumenta quando observamos os argentinos preparando a grande festa para os jogos finais entre Boca Juniors e River Plate.
O consolo virou a possibilidade de o Furacão ou o Fluminense ganhar o título da Copa Sul-Americana.
Mas se o torcedor tem o direito de contrariar-se com o insucesso dos times não tem o direito de surpreender-se.
O me engana que eu gosto continua vivo nos gramados e nas arquibancadas.
Os analistas esportivos apontam as deficiências na gestão da CBF, das federações estaduais e nos clubes; a mídia, escrita e eletrônica, insiste na necessidade de mudanças estruturais para tentar recuperar o prestígio de quem se tornou apenas fornecedor de jogadores para o mercado internacional.
Enfim, todos batem na mesma tecla, mas parece que os dirigentes tapam os ouvidos e seguem em frente com administrações temerárias, endividamentos, troca-troca insano de treinadores, fracassos técnicos, etc., etc., etc.
Ninguém suporta mais a repetição das mesmas cenas com os mesmos atores.
Em termos futebolísticos dá a impressão de parecermos uma versão do personagem interpretado pelo ator Bill Murray no filme “Feitiço do tempo”. Aquela comédia de Harold Ramis no qual o sujeito acorda todo dia no mesmo dia. Um gélido 2 de fevereiro – Dia da Marmota, no qual, segundo a tradição nos Estados Unidos e Canadá, as pessoas devem observar a toca de uma marmota: dependendo da atitude do bichinho, o inverno terminará mais cedo ou não -, mas apenas Murray nota que o tempo não passa.
Ou melhor, passa e volta ao começo.
Conforme tromba com a repetição dos eventos daquele dia, ele tenta, nem sempre com sucesso, evitar o encontro com o chato no meio da rua ou pegar um pessoal a partir da tentativa-e-erro.
O pessoal, no caso, é um grupo de pessoas que circula pelo filme para preencher o repetitivo dia-a-dia do personagem principal.
Entre eles, Andie MacDowell, a mocinha do filme desprovida de sex appeal. Daí não vale a pena ficar repetindo a cena e Murray entra em colapso nervoso no final da história.
Voltando à vaca fria, como se dizia antigamente, já passou da hora de os responsáveis pelos clubes mais importantes do país despertar, exigir a formulação de um calendário decente, transformar os anacrônicos campeonatos estaduais em festa para os times de menor porte e iniciar um processo verdadeiramente eficaz para recuperar o combalido futebol brasileiro.
Antônio Carlos Carneiro Neto nasceu em Wenceslau Braz, cresceu em Guarapuava e virou repórter de rádio e jornal em Ponta Grossa, em 1964. Chegou a Curitiba no ano seguinte e, mais tarde, formou-se em Direito. Narrador e comentaris...