Viradas e garra inglesa engrandeceram o futebol

Quando foram conhecidos os semifinalistas da Liga dos Campeões da Europa a bolsa de apostas e os palpites em geral indicaram, em sua maioria, uma finalíssima entre Barcelona e Ajax.
Com os resultados da primeira rodada, favoráveis aos espanhóis e holandeses, aumentou a dúvida de que Liverpool e Tottenham conseguissem virar o jogo a seu favor.
Ledo engano. Ledo e doce engano.
Pois os ingleses não absorveram os reveses com naturalidade.
Antes, pelo contrário, trataram de trabalhar no escasso tempo que lhes restava para tentar reverter as tendências cada vez mais evidentes.
Aí é que entra o indomável espírito característico do leão inglês.
Aquele mesmo que fez a ilha da Grã-Bretanha resistir tenazmente aos bombardeios nazistas e a ameaçadora queda eminente do Reino Unido.
TABELA: Veja como foi o caminho dos finalistas da Liga dos Campeões
Winston Churchill caracterizou à perfeição o papel de líder irascível e, por que não, invencível. Tomando seus goles diários de champanhe, conhaque, vinho do porto ou uísque, com indispensáveis charutos cubanos entre os dedos, o velho buldogue liderou a resistência, a persistência e, afinal, o triunfo.
A garra inglesa tornou-se uma legenda histórica.
Por esses dias em que os ingleses experimentam o drama do Brexit – uma jogada equivocada do que se entende por esquerda naquele reino milenar – também assistimos aos movimentos políticos que se fundem e se fundam em bloco de nações, como a comunidade européia, a comunidade dos tigres asiáticos, o Brics e assim por diante.
O Brasil tenta participar de alguma “fraternity” ou “sorority” internacional. E as palavras inglesas não vêm aqui por acaso. Pois, na verdade, nenhuma expressão substitui aquela que foi inventada por eles – a “commonwealth”.
Pelo imperialismo inglês, se quiserem, mas de qualquer modo pela sua sabedoria política.
“Common” – comum, de um lado, e de outro – “wealth”, que significa riqueza, cabedal, recursos ou patrimônio.
A “Commonwealth” não é uma comunidade qualquer, formada por interesses de circunstancia, como o nosso incipiente Mercosul, por exemplo. Mas uma organização vinculada à permanência de um interesse comum, mais do que isso, de um patrimônio permanente, de uma riqueza imanente para um investimento societário e histórico.
Trocando em miúdos: nunca devemos duvidar da capacidade criativa e reatora daquela gente.
Arrebatador. Inesquecível. Futebol vive momento mais brilhante da história
Pois tudo isso entrou em campo durante a semana que se finda. Barcelona e Ajax é que pagaram o pato.
Na terça, a excelsa goleada do Liverpool sobre o time do monumental craque Messi e, na quarta, a arrebatadora virada do Tottenham sobre a entusiasmada meninada holandesa.
O alemão Jürgen Klopp preparou com inteligência, perspicácia e estratégia os seus jogadores. Com destaque a magnífica atuação do goleiro brasileiro Alisson e a esperteza do jovem Alexander Arnold ao cobrar o escanteio para o quarto gol dos “reds”.
O argentino Mauricio Pochettino, mesmo tomando dois gols no primeiro tempo, conseguiu reabilitar o moral do grupo, injetar vigor a todos e partir para o tudo ou nada com bravura característica da antiga pirataria inglesa nos embates nas turbulentas águas do Caribe.
Coube ao atacante brasileiro Lucas Moura, mal aproveitado pelo PSG, da França, escrever com letras de ouro o seu nome na história do futebol mundial. Foram três gols que mudaram a sua vida para sempre.
Essas viradas e a garra inglesa engrandeceram o futebol.
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