
O Brasil tem enfrentado vários desafios no campo educacional e é preciso que haja adaptações e mudanças rápidas e contextualizadas. Uma das metas do Plano Nacional da Educação (PNE) é fomentar a qualidade da educação básica nas diversas etapas e modalidades, com foco na melhoria do fluxo escolar e na aprendizagem, de modo a qualificar as médias nacionais para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Em consonância com as metas do PNE, a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem como objetivo promover a igualdade e a equidade entre as disparidades observadas em termos de educação, por meio da definição das aprendizagens essenciais, ou seja, orientar a educação para a formação humana e integral, construindo-se, desta forma, uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
A BNCC tem a intenção de aprimorar a educação brasileira, melhorando os indicadores, mas nossa preocupação precisa ir mais além: Quando as mudanças propostas por essa base chegarão de fato às escolas públicas? Quando essas mudanças surtirão efeito concreto e de forma igualitária na vida dessas crianças? Quanto tempo demorará para que tais mudanças se concretizem? Será preciso acompanhamento das aprendizagens por meio dos indicadores?
Espera-se que as novas diretrizes da BNCC, juntamente com as propostas pedagógicas das escolas, possam melhorar o nível de aprendizagem de nossos estudantes em todo o país, considerando-se que a fundamentação pedagógica desse novo documento (BNCC), estabelece que todos os conteúdos curriculares estejam a serviço do desenvolvimento de competências.
Em relação ao Ensino Médio no Brasil, a situação é preocupante, com disparidade entre o índice de alunos matriculados no Ensino Fundamental e o número de alunos concluintes do Ensino médio.
Os diversos índices negativos educacionais no Brasil são consequência da falta de qualidade do ensino, de falta de infraestrutura adequada, da formação e da carreira docentes, das condições socioeconômicas e, principalmente, do currículo dos cursos que formam os docentes para atuar nos diferentes níveis de escolaridade do aluno.
A BNCC do Ensino Médio levou em consideração os princípios norteadores da formação do jovem para o trabalho, por meio da ampliação da carga horária, que hoje é de 800 horas, e passará para 1.400 horas, em um período de cinco anos, mudança esta que deverá ocorrer de forma progressiva.
Haverá uma flexibilização curricular e o estudante escolherá seu itinerário acadêmico; entende-se, neste ponto, que esse formato possibilita o protagonismo juvenil e é mais coerente, pois, aproxima-se das necessidades individuais, tornando o currículo mais significativo. Em consonância com a proposta pedagógica para o Ensino Médio, o Projeto Marista para o Ensino Fundamental (2010, p. 31) rege que “fazer a educação na diversidade significa ensinar em um contexto educacional no qual se destacam as diferenças individuais, ampliando e flexibilizando os currículos praticados”.
As escolas precisam incluir nos projetos educacionais, temas como cidadania, pesquisa, transdisciplinaridade, sustentabilidade, virtualidade, globalização, dialogicidade, solidariedade, entre outros, de maneira a formar cidadãos protagonistas da própria vida, e de uma sociedade rumo a um futuro melhor e mais solidário, para que as diferenças sejam, ao menos, minimizadas.
*Artigo escrito por Aldivina Américo de Lima. Diretora educacional do Colégio Marista Maringá e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM/ PR).O Grupo Marista é colaborador voluntário do Instituto GRPCOM no blog Educação e Mídia.
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