| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, declarou à coluna Entrelinhas o senador do Novo Eduardo Girão (CE), ao comentar a operação da Polícia Federal (PF) que investiga o suposto desvio de recursos para a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19. A operação, chamada Cianose, investigou a contratação, pelo Consórcio Nordeste, da empresa que iria fornecer cerca de 300 ventiladores pulmonares durante o pico inicial da pandemia no Brasil e não entregou nenhum equipamento. “Esperamos que Justiça seja feita. Não vamos parar, vamos continuar denunciando e que essa operação da PF já chegue punindo os responsáveis”, declarou.

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O relatório governista da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, apresentado em outubro de 2021, pedia a investigação do Consórcio Nordeste pela compra dos respiradores que não foram entregues, citando gastos de R$ 48 milhões na aquisição frustrada.

Integrante da CPI, que teve como presidente o senador Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na vice-presidência e Renan Calheiros (MDB-AL) como relator, Girão declarou que o os trabalhos do grupo foram prejudicados pela oposição feita à época ao governo Bolsonaro (PL). “Tudo foi atravessado por fins políticos”, disse. “Eu acredito que essa mácula que está desde a pandemia começou quando a CPI blindou os trabalhos, já que os governistas nos impediram de chamar governadores e prefeitos”, avaliou Girão.

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O senador garantiu a existência de documentos com indícios “fortes” que comprovam o superfaturamento na compra dos aparelhos. A empresa, de acordo com Girão, era ligada ao comércio de produtos derivados da maconha. “Não foi entregue nenhum aparelho e o dinheiro simplesmente evaporou”, afirmou.

Segundo a PF, o processo de aquisição contou com diversas irregularidades, como o pagamento antecipado de seu valor integral sem que houvesse no contrato qualquer garantia contra eventual inadimplência por parte da contratada.

Em nota, o Consórcio Nordeste afirma que a compra emergencial foi feita em conformidade com a legislação específica da pandemia (13.979/2020) e que a entidade foi “vítima de uma fraude de empresários que receberam o pagamento e não entregaram os aparelhos”. O grupo também declarou que o fato foi “denunciado pelo próprio Consórcio às autoridades policiais e ao judiciário, através de ação judicial que resultou na prisão desses empresários e no bloqueio de seus bens”.