
Por Rulian Maftum
Dia desses minha filha de dois anos ouviu pela primeira vez a história de Aladdin e a Lâmpada Mágica. Pela pouca idade o interesse dela está muito mais no príncipe e na princesa do que no resto. Mas é claro que para nós, adultos, nada mais fascinante do que a parte do gênio e dos três desejos, concorda? Quem não gostaria de desejar qualquer coisa e num estalo de dedos ela acontecer?
Enquanto contava a participação do gênio na história bem rapidinho (minha filha só queria saber da princesa, lembra?), me imaginei achando uma lâmpada mágica, esfregando, aparecendo o gênio que me perguntaria:
"Rulian, se você pudesse resolver um problema do mundo, qual seria ele?"
Agora, imagine que você estivesse no meu lugar e o gênio desse a você esta possibilidade.
Qual problema do mundo você gostaria de resolver?
E se eu te disser que cada vez mais pessoas estão se envolvendo na resolução dos problemas do mundo de uma forma inovadora, estão enxergando isso como uma oportunidade de empreender e de gerar negócios. São empresas, que buscam o lucro, mas gerando impacto social positivo e sendo melhores para o mundo.
Sejam negócios iniciantes ou organizações já existentes, este movimento de "Empresas B" (o "B" vem de benefits/benefícios) cresce rapidamente no mundo todo, com destaque para a América Latina.
Hoje, são mais de 2.700 participantes do Sistema B global, em mais de 70 países. Muitos destes negócios surgiram de inquietações e reflexões de pessoas que queriam ajudar a melhorar alguma coisa. E a partir desta vontade de ajudar, um empreendimento foi criado.
Faça este exercício, olhe em volta e perceba o quanto ainda temos que avançar para criar um país minimamente decente em questões básicas como: acesso a saúde e educação, água e esgoto, lixo, preservação ambiental, geração de renda. Normalmente pensamos nisso e bate aquela tristeza. Mas convido você a olhar novamente, agora com a lente empreendedora.
Quantas oportunidades de negócio, não acha?
Para mim, o que diferencia este movimento de outros que já apareceram é algo simples, mas bastante poderosos. São organizações que surgem com um propósito de criar valor social e também para os acionistas, uma nova leitura do modelo corporativo tradicional que visa apenas gerar cada vez mais grana para os donos. E também uma evolução na visão dos negócios sociais que pensavam no lucro apenas como uma consequência, o que fez e ainda faz tantas iniciativas bacanas e com alto poder de impacto naufragarem.
Além disso, é o uso de todo o poder da inovação e do empreendedorismo por um propósito maior. Afinal, qual o problema de ganhar dinheiro ajudando o mundo a ser um lugar melhor?
Bom, se você chegou até aqui no texto faz parte desta tribo de pessoas que acreditam que um outro mundo não só é necessário, como é possível. Ou porque já está envolvido em algo, ou porque tem aquela vontade louca de fazer e não sabe muito bem como começar. Convido você a conhecer mais sobre o Sistema B e as empresas que já fazem parte dele. Tenho certeza que isso vai te ajudar na sua jornada de empreendedor de impacto. Aí, quem sabe, se você encontrar aquela lâmpada mágica e o gênio te conceder aquele nobre desejo você já tenha a resposta na ponta da língua
*Artigo escrito por Rulian Maftum, jornalista, escritor e provocador. Especialista e palestrante em inovação, cidadania e sustentabilidade. Há 11 anos produz conteúdos sobre estes temas para emissoras de rádio e portais de internet. Multiplicador do Sistema B e pai da Julie, de 2 anos. Rulian Maftum é colaborador voluntário do Blog Giro Sustentável.
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