Desfaçatez nos elogios à final paulista. Semana do Athletico. Coritiba sem ataque

O lastimável futebol apresentado por Palmeiras e Corinthians nas finais do Campeonato Paulista recebeu elogios de setores da imprensa. Ficou claro, mais uma vez, que o resultadismo é, definitivamente, uma praga, um vírus sem vacina em nosso futebol.
Depois da ridícula partida de quarta-feira em Itaquera, onde as duas equipes simplesmente se recusavam a atacar, vimos no Allianz Parque um jogo que, se não foi tão ruim, passou longe de ser bom, com o time mais forte tecnicamente recuado para defender o 1 a 0.
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E nem nisso o Palmeiras foi competente, com o pênalti cometido no lance derradeiro (Gustavo Gómez em Jô), o que ofereceu aquele Corinthians esfacelado, que se arrastava em campo, a chance do empate. Inacreditável a covardia alviverde diante de um rival esquálido.
Os palmeirenses venceram na disputa de penalidades máximas. Alívio. Normal que se festeje, ora, afinal, o rival maior seria tetracampeão, caso saísse de campo com o troféu. Mas o baixíssimo nível do futebol é inaceitável para um elenco tão bom. Ou, pelo menos, deveria ser.
Mas há quem aceite e ainda elogie.
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O Athletico teve mais posse de bola (57%), finalizou mais (13 a 10), trocou mais passes certos (422 a 291) e venceu o Fortaleza, fora de casa, na estreia pelo Campeonato Brasileiro. Fechou uma semana de título estadual com vitória emocionante, mas sem jogar uma grande partida, e estreou na Série A de maneira bem convincente.
O duelo foi definido na primeira etapa, quando agrediu mais (11 dos 13 arremates rubro-negros foram antes do intervalo, pelas estatísticas do SofaScore) e fez os 2 a 0 que permaneceram no placar até o apito final.
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Diante de um adversário superior, o Coxa retornou à Série A após duas temporadas em partida de grandes dificuldades. O Colorado, treinado por Eduardo Coudet, assumiu o controle do jogo e da bola. Tanto que o Coritiba de Eduardo Barroca, que goste de tê-la, não foi além dos 35% de posse.
Guerrero assinalou o gol único da peleja em um dos dois tiros no alvo entre as oito finalizações do Inter em toda a partida. Um oponente difícil para um Coxa que tem na parte ofensiva sua grave carência inicialmente detectada nesse reencontro com a Primeira Divisão.
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Comove o esforço de alguns para tornar épico o que vimos nessa decisão de campeonato paulista. Quem tem tal capacidade detesta futebol e finge gostar por conveniência ou possui um talento inequívoco para a dissimulação. Como é possível elogiar algo ligado a tal “espetáculo”? Haja desfaçatez.