Publiquei no dia 10 de março texto sobre mitos do futebol paranaense. Passagens da bola local que não passam de mentira, mas que com o tempo, e a falta de memória, foram alçadas ao status de verdade. Entre os causos, está o da semifinal entre Atlético e Flamengo, no Brasileiro de 83.
Bem resumido: o Furacão precisava fazer 3 a 0 no time de Zico, Júnior, Leandro e cia., fez 2 a 0 em 20 minutos e só não marcou o terceiro porque, diz a lenda, o time foi comprado no vestiário do Couto Pereira naquele 15 de maio. Inverdade, é claro.
Rapidamente, surgiram comentários garantindo que não, não é lenda. A corrupção ocorreu. De fato, a equipe de Washington e Assis vendeu a vaga para os cariocas e tudo que foi visto no segundo tempo do jogo foi pura fantasia.
Naturalmente, todas as manifestações têm algo em comum. Foi sempre um “jogador” que contou, ninguém dá o nome do atleta. Ou foi um repórter que revelou, também sem nome. Ou é aquele papo de que “alguém que me disse que, segundo disseram pra ele, foi tudo verdade”.
Já entrevistei vários jogadores do Rubro-Negro daquele timaço – colegas também ouviram outros personagens, como o técnico Hélio Alves. Todos negam qualquer influência e, ok, nem poderia ser diferente.
Agora, quanto valeria em dinheiro abrir mão de uma vaga na decisão e, quem sabe, conquistar o reconhecimento (e a grana) pelo título nacional? E, com tanta gente envolvida na sacanagem, como até hoje ninguém abriu o bico? (vocês sabem que, entre corruptores e corruptos, um dia alguém trepida).
Enfim. É curioso que mesmo sendo aparentemente o “segredo” mais mal guardado da história do futebol paranaense, o fato é que, quase 33 anos depois, ninguém tem provas de que o Atlético vendeu o resultado daquela partida para o Flamengo.
Conteúdo extra:
Governo pressiona STF a mudar Marco Civil da Internet e big techs temem retrocessos na liberdade de expressão
Clã Bolsonaro conta com retaliações de Argentina e EUA para enfraquecer Moraes
Yamandú Orsi, de centro-esquerda, é o novo presidente do Uruguai
Por que Trump não pode se candidatar novamente à presidência – e Lula pode