Você tem filhos, irmãos, sobrinhos ou netos na escola? Infelizmente não há quem ainda não tenha ouvido um estudante reclamar das lições de casa. A elas os mais ardentes adjetivos e depreciações – e às vezes não lhe tiro a razão do codinome de “chatice”, pois mais parecem verdadeiros castigos, principalmente porque, salvo exceções, não trazem um propósito pedagogicamente aprovado. Ontem à noite, lá pelas 23 horas, minha filha, que estuda de manhã e desenvolve outras atividades à tarde, ainda fazia a lição de matemática. Eram 11 exercícios de geometria, entregues ainda no mesmo dia para serem devolvidos hoje, ou seja, no dia seguinte.

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Nem o pai dela, que é doutor na área, conseguiu reconhecer a pertinência do exagero das numerosas questões. Além da lição de matemática havia a de inglês e a de geografia, feitas um pouco antes do jantar. Eu, professora, com décadas de experiência, sei que a lição de casa é uma possibilidade e que, antes de ser um castigo, constitui uma ocasião de desenvolver a autonomia do estudante com relação aos conteúdos ministrados na sala de aula.

O que é?

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A lição de casa é uma verdadeira aliada da escola e da família do aluno, pois é ela possibilita frequentemente aos pais o termômetro do envolvimento do estudante com a rotina escolar – e no retorno do aluno à sala de aula, ao professor que planejou a atividade. Ver um escolar realizando cálculos, articulando anotações teóricas com concentração absoluta, sem expressar desagrado pela lição de casa deixa pai e mãe muito tranqüilos, satisfeitos com a escola. A lição de casa, sem dúvida alguma, é uma ferramenta preciosa para fixar conteúdos e expressar a eficiência do método docente, disso não tenhamos dúvida.

Objetivos

Quando o meu colega professor informa qual o objetivo da lição o caminho para o sucesso já está traçado. O escolar precisa saber claramente por que está levando tarefas para fazer em casa, Não informar é ignorar a condição do aluno, aprendiz por excelência. Desenvolver a autonomia, resolver questões específicas e vencer desafios devem ser os objetivos da lição de casa. Nunquinha como um castigo, pois esta condição dada à atividade criará uma relação aversiva ao assunto e, consequentemente ao professor e à disciplina em questão.

Lições de casa eficientes

Alunos que desenvolvem tarefas escolares em complementação ao conteúdo trabalhado em sala de aula expressam maior autonomia. São crianças e jovens mais seguros e assertivos com relação aos conteúdos e relações estabelecidas, a partir deles. Esta constatação reforça a idéia de lhes passar “lições de casa”, mas sempre bem planejadas, nunca sob o impulso da fúria pela indisciplina da garotada em sala de aula ou para marcar uma autoridade docente questionável. Fazer com que o estudante compreenda os objetivos das lições é primeiro passo para tudo dar certo. É preciso aliar o interesse dos alunos aos conteúdos que necessitam reforço fora da sala de aula.

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O papel dos pais

A interação dos pais com as atividades escolares é um dos pilares do sucesso da prática docente. Pais participativos dão o suporte necessário ao trabalho docente e a lição de casa deve ser encorajada e estimulada, sim. No entanto, se os pais percebem que há qualquer aspecto estranho nessas lições devem, imediatamente, procurar a escola, pois muitas vezes nem a coordenação sabe o que se passa na sala de aula. Sou uma das mães mais participantes na escola onde minha filha estuda. À instituição delego a incumbência dos conteúdos, mas tenho as rédeas nas mãos, quando percebo incoerências com o produto oferecido, tanto do ponto de vista do aluno, quanto do método empregado pelos colegas professores. Quero saber sempre de tudo; sou uma exceção, eu sei disso, porém a família não pode confiar cegamente na escola, pois ela é feita por seres humanos, falíveis, equivocados. É preciso confiar, mas sempre desconfiando.

Sinais de alerta com a lição de casa

1 Longas, exaustivas e subjetivas.
2-Nunca são corrigidas pelo professor.
3-Não trazem objetivos claros.
4-Ignoram as dificuldades do aluno (condições de estudo e pesquisa).
5-Extensas, principalmente na sexta-feira.

Para mim, professora e mãe de uma adolescente na 7ª série, a boa e eficiente lição de casa é aquela que consegue articular três ingredientes poderosos: objetivos claros+ desafios+ interesses dos alunos. Se ignorar um desses componentes estará fadada ao insucesso e será um fardo, ao invés de uma atividade prazerosa, do tipo que faz o escolar querer logo corrigi-la ao chegar no dia seguinte em sala de aula. A lição de casa não poderá ser um drama, mas sim uma possibilidade de aprender mais, o que exige um planejamento eficiente do seu conteúdo e análise criteriosa das condições que os alunos terão para fazê-la satisfatoriamente.

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