Garimpando a papelada que se acumula nas gavetas, eis que o professor Afronsius encontra o texto de Edgar Morin “Os sete saberes necessários à educação do futuro”. Antropólogo, sociólogo, filósofo, educador e pensador, Edgar Morin (pseudônimo de Edgar Nahoum) aborda o conhecimento.
Diz ele, ou ensina:
– Naturalmente, o ensino fornece conhecimento, fornece saberes. Porém, apesar de sua fundamental importância, nunca se ensina o que é, de fato, o conhecimento. E sabemos que os maiores problemas neste caso são o erro e a ilusão.
Ao examinar as crenças do passado, conclui:
– A maioria contém erros e ilusões. Mesmo quando pensamos em vinte anos atrás, podemos constatar como erramos e nos iludimos sobre o mundo e a realidade. E por que isso é tão importante? Porque o conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. O conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. Mesmo no fenômeno da percepção, através do qual os olhos recebem estímulos luminosos que são transformados, decodificados, transportados a um outro código, que transita pelo nervo ótico, atravessa várias partes do cérebro para, enfim, transformar aquela informação primeira em percepção.
– A partir deste exemplo, podemos concluir que a percepção é uma reconstrução. Tomemos um outro exemplo de percepção constante: a imagem do ponto de vista da retina. As pessoas que estão próximas parecem muito maiores do que aquelas que estão mais distantes, pois a distância, o cérebro não realiza o registro e termina por atribuir uma dimensão idêntica para todas as pessoas.
– Assim como os raios ultravioletas e infravermelhos que nós não vemos, mas sabemos que estão aí e nos impõem uma visão segundo as suas incidências. Portanto, temos percepções, ou seja, reconstruções, traduções da realidade. E toda tradução comporta o risco de erro. Como dizem os italianos tradotore/traditore.
Ou, citando Píndaro, não estou quebrando pedra, estou construindo uma catedral.
ENQUANTO ISSO…