
O segredo é a alma do negócio. Sempre foi, e principalmente para determinados tipos de negócio. Depois de ler a respeito dos grandes segredos da história da humanidade e ver alguns filmes, como O Nome da Rosa e Enigma, este sobre o código secreto dos nazistas na II Guerra, o professor Afronsius tocou no assunto com Natureza Morta.
No dedo de prosa junto à cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha, Natureza aproveitou para citar uma matéria da revista História Viva. “Para garantir o sigilo da correspondência trocada pelos reis da Idade Média e do Renascimento, foram criados sofisticados métodos de cifragem capazes de burlar as redes de espionagem da época”, informa o texto de Laurent Vissière.
– Dizem que, comparativamente, Cachoeira seria pinto em matéria de arapongagem – emendou Beronha.
Criptografia moderna
Do estudo da cabala, que buscava mensagens ocultas no Antigo Testamento, chegamos ao desenvolvimento da criptografia moderna. Mas, entre os antigos, fica-se sabendo que o imperador Júlio César (ou Gaius Julius Caesar, como prefere o solitário da Vila Piroquinha) foi um dos que recorreram aos códigos secretos, a partir de um sistema básico de substituição.
O Código Júlio César consistia em deslocar as letras do alfabeto para criar um “sistema de correspondências”.
Vai daí, talvez para substituir as fofocas em tom reservado e cochichos a distância, que um amigo do Beronha optou por uma forma segura de comunicação. A de César.
Nosso anti-herói de plantão gostou, embora confesse que “não entendi bulhufas e continuo na mesma”. Mas apresentou ao professor Afronsius algumas mensagens do amigo, é claro, secreto. O repto. Ou desafio:
– Decifre se for capaz.
Mente superior
O professor não saiu do zero diante da primeira:
TPZZHV WHYH ZY ZWVJR SPNHY ALSLAYHUZWVYAL
BYNLUAL UV IHY SBGPAHUV
E muito menos da segunda:
NYHJPHZ NHUOVB JHTPZH KV UFQLAZ
Como também ficou boiando, Natureza decidiu apelar para uma mente superior, o Sr. Spock Macunaíma.
– Elementar, meu caro Natureza. A primeira mensagem, decodificada, diz: “Missão para Sr Spock ligar teletransporte urgente no Bar Luzitano”.
– E a segunda? – cresce a expectativa junto à cerca (viva) da mansão da Vila Piroquinha.
– Lá vai: “Gracias ganhou camisa do NY Jets”. Essa, eu confesso que não entendi o recado…
Havia ainda uma que começava com YVZIPML e outra que terminava com BMH – MBP.
Sr. Spock:
– A primeira quer dizer Rosbife. Também não faço a menor ideia. A segunda, “ufa” “fui”.
Antes de bater em retirada (tinha alguma missão mais impossível pela frente em sua interminável jornada), o sr. Spock elogiou o Código de César. Simples e seguro. Seguro pelo menos naquela época.
– Coloca-se o alfabeto numa linha e o desloca para uma segunda, em grupos de sete letras. Teremos assim, na primeira linha
ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXZ
e, na segunda
HIJKLMNOPQRSTUVWYZABCDEFG
As letras da primeira fileira são substituídas pelas da coluna de baixo, de modo a obter a codificação.
E, aproveitando, despediu-se com a saudação na qual insiste em separar o mindinho e seu vizinho dos demais dedos:
– MPB IFL IFL!
CBKH SVUNH L WYVZWLYH!
Tradução? Recorram ao código.
ENQUANTO ISSO…




