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Setembro de Nuvens. Final de ano com Nuvens. Poderia ser, mas não é a previsão do tempo de Curitiba neste início de primavera. As nuvens são musicais e vêm de um espaço virtual para encher nosso mundo real de canções repletas de cordas – guitarra, violão, baixo, violino, viola e as cordas eletrônicas de um piano hammond e sintetizadores. A banda Nuvens lança ao mesmo tempo um EP acústico e um single com duas novas músicas. Tudo para baixar gratuitamente na internet (www.nuvens.net).
A banda é formada por Amandio Galvão (guitarra e vocal), Vinicius Nisi (piano/hammond e sintetizadores), Luís Bourscheidt (bateria e vocal), Marcos Nascimento (baixo), Marcus Pereira (percussão) e Raphael Moraes (guitarra, violão e voz). Raphael é o compositor de quase todas as canções, que unem com perfeição a MPB tropicalista com o rock – algo entre o rock rural e o psicodélico, chegando à moda de viola, como na cândida “Cândido”. Explorando bastante as cordas e os vocais, a Nuvens mostra maturidade nesses novos trabalhos. Maturidade conseguida com esforço de colocar o trabalho musical no centro das atenções dos membros da banda.
“Uma Vela e Um Oceano” é a principal música dessa fase. Balada, quase música falada, mas com arranjo marcado pelo hammond em casamento com a guitarra. “Você é a vela que ilumina um oceano/ Você em mim, há encanto”, diz a letra, misturando preocupações existenciais e amorosas. A outra música do single é “O Velho e a Flor”. com variações rítmicas e harmônicas que embalam um refrão bastante repetido, terminando com um solo de guitarra distorcida.
Outras canções, como “Entre Sonhos e Poros” (da parte acústica) são mais pop. “Eu queria ser o que restou de bom das horas covardes em que me escondi”, diz a letra. Ouvir Nuvens é ter a impressão de estar sempre ouvindo um conselho, uma dica de comportamento e convivência. Letras poéticas, quase orações, poemas filosófico-amorosos que apontam uma trilha hippie, de confiança no homem e na natureza. No próximo sábado, dia 26, a banda faz uma apresentação gratuita, ao ar livre, no projeto Batel Soho, da Mundo Livre FM, às 17 horas, na Praça da Espanha.
A direção artística do projeto da Nuvens é de Raphael Moraes, com direção executiva do Coletivo Nuvens. Gravado, mixado e masterizado no Nico´s Studio. Vozes, baixos e teclados gravados no home estúdio da Nuvens. Todas as músicas são compostas por Raphael Moraes, exceto “Cândido”, escrita por Moraes e Eduardo Cirino, “Jovens Tragédias”, de Moraes e Luiz Carlos Geremias e “O Velho e a Flor”, com autoria de Vinícius de Moraes, Toquinho e Bacalov. Músicos convidados: Bernardo Brandão, Gustavo Paris, Rômulo Candal, Ulisses Candal Sato e Luiz Eduardo Nishino- alfaias em “Heróis”, Guilherme Romanelli – violino em “Mudança na estação”.
Cantora dá lição de rádio
Ainda sobre a questão se as rádios do Paraná apoiam como deveriam a música do Paraná. Já são duas colunas tocando no assunto e esta será a terceira. A cantora e compositora Rogéria Holtz que lançou o excelente disco No País de Alice, com músicas de Alice Ruiz, fará no dia 7 de outubro o show no Teatro Positivo, adiado por causa da gripe suína. Ela, com a sensibilidade e a elegância de sempre, enviou o e-mail se posicionando a respeito da da discussão das rádios do Paraná. Aí está reproduzido:
“O povo sabe o que quer mas também quer o que não sabe.” Frase do Gilberto Gil que quero lembrar pra responder o radialista que prefere esperar a opinião do povo pra saber se toca ou não a música do Paraná. Bom, como o povo pode pedir pra tocar um artista na rádio se não conhece o artista? Sempre tem a primeira pessoa que vai ter a coragem e conhecimento pra dizer se aquilo é bom e se vale a pena o povo ouvir. Será que temos pessoas assim no Paraná? Ou temos que esperar o Mariozinho Rocha nos empurrar goela a baixo e sermos meras repetidoras do Rio e São Paulo? Adoro essa discussão, Luiz Claudio. Obrigada por provocar o paranaense, é necessário.”
Quando perguntei a ela se poderia publicar, ela respondeu com outra frase direta e certeira, autorizando a publicação: “Não gosto de fechar portas, mas ficar em cima do muro só nos deixa mais fracos do que já somos”.
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