O governo do estado do Paraná começa a dar mais munição às pessoas e entidades de representação que são contra o fim do controle e prevenção da febre aftosa sem vacinação. Quase três semanas após ter assinado a autorização para nomeação dos concursados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a relação ainda não foi publicada em Diário Oficial. Pelo menos não até sexta-feira. Aliás, desde a criação da Adapar, há três anos, o anúncio das admissões foi realizado inúmeras vezes. Efetivamente, porém, nada aconteceu.
Sobre as obras de reforma ou construção das barreiras de vigilância sanitária, nas regiões de dividas e fronteiras, que ao lado do novo efetivo da agência é condição primeira ao pleito de livre de febre aftosa sem vacinação, idem. Por enquanto nada. E o que é pior. Salvo alguma manobra política que possa estar em curso, está marcada para a próxima segunda-feira mais uma audiência pública para discutir o tema, apresentar e defender os prós e contras com o fim da imunização do rebanho bovino paranaense. A primeira audiência, quando ficou pública e notória a falta de unanimidade, ocorreu em 11 de maio.
Ou seja, o governo tem uma semana para encaminhar a situação, sob pena de ser massacrado pelos opositores ao fim da vacinação, entre os quais a Sociedade Rural do Paraná (SRP), entidade que tem a pecuária em seu DNA. Oposição essa que tem grandes chances de ser reforçada por aqueles que, institucionalmente, estão em cima do muro e ainda não se posicionaram, como associações de criadores e conselhos que representam profissionais diretamente envolvidos na questão.
O Paraná pode sim ter condições técnicas de suspender a vacina. Mas sem fazer a lição de casa fica difícil. Até porque, do jeito que está perde mais tempo se defendendo do que justificando o fim da vacinação. A condição tecnicamente viável, economicamente interessante, estrategicamente oportuna e politicamente sustentável, defendida pelo diretor-presidente da Adapar Inácio Kroetz para o fim da vacinação, esbarra na condição política e econômica pouco favorável do governo do estado para ir da teoria à prática sanitária.
Enquanto isso, na Assembleia Geral da OIE, a Organização Internacional de Saúde Animal, que ocorre nesta semana, na França, o vizinho Santa Catarina soma ao seu currículo outro importante status sanitário. Ao lado do Rio Grande do Sul, será reconhecido oficialmente e internacionalmente como zona livre da peste suína clássica sem vacinação. O Paraná deveria estar nessa lista? Sim! Mas perdeu o bonde e agora corre atrás do prejuízo. A Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) e a Adapar participam da conferência em Paris.
Expedição Safra 10 anosA Expedição Safra, levantamento técnico-jornalístico realizado pelo Agronegócio Gazeta do Povo apresenta hoje em Curitiba o balanço da temporada 2014/15. Os números apurados pelo projeto já são de conhecimento do mercado. O destaque está no recorte que a equipe fez da última década do agronegócio brasileiro. Um período onde o país cresceu em produção e mercado e se posicionou como um dos principais players de oferta e demanda no ambiente internacional.
Na estrada desde o ciclo 2006/07, na Safra 2015/16 a Expedição completa 10 anos de sondagem com o mapeamento de 16 estados brasileiros e incursões em 14 países produtores, consumidores e fornecedores de insumos à agricultura. Um período em que a produção nacional saltou de 135 milhões para 202 milhões de toneladas. Foram 67 milhões de toneladas em uma década, um adicional acima de 10 milhões de toneladas/ano. Com tamanha variação, em pouco tempo, seria esse um crescimento sustentável?
Essa é uma das perguntas que a Expedição Safra 10 anos vai ajudar responder. A resposta, afinal, não está apenas no mercado, mas tem a ver com inovação e tecnologia, que não por acaso será a temática central da próxima edição do projeto. Para acrescentar, a título de ilustração nos dez últimos anos a produção de soja no Brasil cresceu mais de 80% em produção e apenas 34% em área, resultado de investimento em tecnologia, agronômica e de mecanização.
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