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Os vinhos de Mendoza correspondem a 70% da produção nacional argentina.

Mercado e Setor

Argentinos abrem hub logístico em Itajaí para aumentar exportação de vinhos ao Brasil

Guilherme Grandi
22/04/2021 19:03
De olho no avanço do consumo de vinhos finos pelos brasileiros durante a pandemia do coronavírus, a entidade argentina Fundação ProMendoza está inaugurando um hub logístico em Itajaí (SC) para aumentar a presença dos rótulos do país no Brasil. O empreendimento, lançado na manhã desta quinta (22) em um evento virtual, compreende um espaço de 75 mil metros quadrados em depósitos fiscais públicos e privados na cidade portuária.
O objetivo da entidade é facilitar a negociação dos vinhos argentinos – segundo colocado no consumo dos brasileiros, atrás apenas dos chilenos – principalmente para pequenas empresas que tenham dificuldade na logística dos produtos entre a principal região produtora do país e o mercado nacional. Neste primeiro momento, o espaço armazena em torno de 19 mil garrafas.
Segundo a Fundação ProMendoza, a região é responsável por 70% da produção nacional de vinhos, e envia ao Brasil apenas 30% do que produz. O objetivo é aumentar este montante para 50%, com a conquista de novos clientes e distribuidores por aqui.
Mário Lázzaro, gerente da entidade, conta que o
espaço vai funcionar de maneira específica para a coleta, separação e
distribuição dos vinhos, com a facilidade de adquirir qualquer rótulo em maior
ou menor quantidade de pedidos, diminuindo os riscos da operação e os custos
com viagens de negociação.
“A ideia da criação do Hub Logístico é incentivar as vendas das pequenas empresas, vencendo obstáculos como a distância, favorecendo a internacionalização e sem a obrigatoriedade de comprar um container inteiro para exportar seus produtos”, explica.
Para se ter uma ideia, a importação de vinhos argentinos teve um aumento de 26,5% em volume e 13,6% em valor em 2020 na comparação com 2019 segundo dados da consultoria Ideal Consulting. O consumo fez o país latino desbancar os portugueses da segunda posição entre os preferidos dos brasileiros.
A negociação de produtos da região de Mendoza no
hub logístico de Itajaí irá além dos vinhos, englobando também espumantes e
gêneros alimentícios como azeite, frutas em caldas, secas e cristalizadas,
hortaliças, verduras e castanhas. Entre os 128 países compradores das
mercadorias da região, o Brasil é o segundo, com 22% do montante – os Estados
Unidos somam um pouco mais, 23%.
No apanhado geral de 2020, o comércio entre Mendoza e o Brasil teve um aumento de 13% entre os produtos primários e de 12% entre os de origem agropecuária (MOA). Já os vinhos mendocinos representaram 93% das exportações da bebida no ano passado.
Negociações
Entre as atividades que já estão em desenvolvimento no hub logístico de Itajaí estão rodadas de negócios e degustações online entre exportadores, compradores e fornecedores. Com foco no setor varejista por e-commerces, empórios e enotecas das regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, os eventos online são realizados em etapas ao longo do ano, com a primeira ocorrendo até o dia 3 de maio.
Ao todo já estão confirmadas 480 reuniões com 13
vinícolas mendocinas, que vão enviar amostras de 60 marcas de vinhos a partir
do hub de Itajaí. Segundo André Roldo, CEO da Satori Trading Ltda, parceira da
Fundação ProMendoza, este formato de relacionamento facilitará a negociação dos
produtos, de forma mais rápida e com melhor custo-benefício.
“Nosso objetivo é atender a demanda de produtos importados da Argentina, sobretudo para o setor supermercadista e empresas ligadas à gastronomia em todo o território nacional”, explica.
Gaetano Prisco, coordenador de promoção
comercial e responsável pelo mercado brasileiro da entidade, conta que a
fundação espera ter um crescimento expressivo do comércio de produtos de
Mendoza no Brasil.
“Não sabemos quanto tempo vai durar a pandemia
do Coronavírus, mas Mendoza está preparada para fazer envios massivos. Por
isso, seguimos fazendo negócios, mesmo que de nossas casas”, completa.
Tributação
Segundo a Fundação ProMendoza, a entidade ficará
responsável por tornar todo o processo de importação e logística mais seguro e
menos burocrático, “de maneira a respeitar as normas de comercialização no
Brasil, desde especificações no rótulo até o cadastro do item importado junto
aos órgãos brasileiros de controle”, disse em comunicado.
“O Regime Aduaneiro Especial de Entreposto
Aduaneiro na Importação é o que permite a armazenagem de mercadoria estrangeira
em recinto alfandegado de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos
e contribuições federais incidentes na importação”, explica André Roldo.
Ao Bom Gourmet Negócios, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia informou que o Acordo de Complementação Econômica nº 35 isenta do imposto de importação os vinhos produzidos no Mercosul vendidos ao Brasil. A eles, normalmente, incidem apenas tributos federais como IPI, PIS e Cofins.