O compositor Dottori, diretor artístico da Bienal, quer integrar Curitiba ao novo universo musical| Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

Programação

Veja o calendário de apresentações:

Amanhã

20 horas – Capela Santa Maria

Platypus Ensemble (Viena, Áustria). R$ 1.

Terça-feira

18h30 – Paço da Liberdade

Concerto Eletroacústico com curadoria de Vinícius Giusti (Bremen, Alemanha). Entrada franca.

20 horas – Capela Santa Maria

Ensemble Cross.Art (Stuttgart, Alemanha). R$ 1.

Quarta-feira

18h30 – Paço da Liberdade

Duo FlaPi; (Curitiba). Entrada franca.

20 horas – Sesc da Esquina

Duo Fernando Rocha e Ana Cláudia Assis (Belo Horizonte, MG). R$ 1.

Quinta-feira

20 horas – Paço da Liberdade

2dB Duo (Rio de Janeiro, RJ). Entrada Franca

Sexta-feira

20 horas – Teatro Guaíra

Final do 1º Concurso de Composição do Teatro Guaíra e UFPR, com Concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná. Entrada franca.

Sábado

20 horas – Paço da Liberdade

Trio Sextante (Cuiabá, MT). Entrada franca

Domingo

20 horas – Teatro da Reitoria

Concerto de Encerramento com a Orquestra Filarmônica da UFPR, Ensemble EntreCompositores e Platypus Ensemble. Entrada franca.

Confira a programação completa no Guia Gazeta do Povo

CARREGANDO :)

Concurso de sinfonias acaba durante a Bienal

A etapa final e o vencedor do primeiro Concurso Nacional de Composição, organizado pelo Teatro Guaíra e pela UFPR, serão apresentados durante a Bienal Música Hoje.

Leia a matéria completa

Há quem acredite que, em música erudita, tudo o que poderia haver de belo já foi feito, e os seus criadores já não estão entre nós há tempos. Outros, como o compositor e professor do departamento de Artes da UFPR Maurício Dottori, têm percepções que vão na contramão desta postura – chamada de "mentalidade clássica" pelo crítico norte-americano Alex Ross. Para Dottori, os concertos que atraem mais público em Curitiba são, surpreendentemente, os de música contemporânea.

Publicidade

"É mais difícil fazer encher de público um concerto de música clássica tradicional", diz o diretor artístico da primeira Bienal Música Hoje, que traz concertos nacionais e internacionais de gêneros contemporâneos à cidade entre os dias 29 de agosto e 4 de setembro (veja a programação abaixo).

Diversidade

A ideia da Bienal, de acordo com Dottori, é atender a esse público com uma programação intensiva, uma vez que os concertos de música contemporânea em Curitiba são esporádicos. "A ideia era colocar Curitiba no mundo da música de hoje", diz Dottori, que contou com a direção executiva do maestro assistente da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), Márcio Steuernagel, e com parceiros como a Fundação Cultural de Curitiba, Sesc Paraná, Goethe-Institut, Escola de Música e Belas Artes do Paraná e PUCPR.

As apresentações incluem música eletroacústica (como o Duo Flaπ; e 2dB Duo), concertos de percussão com transformação de sons em tempo real e até interação com outras mídias e expressões artísticas (como o Ensemble Cross.Art) – sempre com a produção dos novos compositores em evidência. "Eu queria que a Bienal não fosse em uma direção só, mas que desse uma ideia da enorme multiplicidade que há hoje. Quem viu um concerto em um dia não terá visto o que acontecerá no dia seguinte", diz Dottori. "Ela sempre aponta para mundos sonoros novos, diferentes. É uma música que aponta para o que não estou habituado e não conheço. É uma surpresa sempre."

Música nova

Publicidade

Dottori diz que o público de Curitiba costuma ser aberto para a música contemporânea, apesar do estigma de música "difícil" que costuma acompanhá-la. O afastamento, de acordo com o músico, é menos uma realidade brasileira que europeia e norte-americana – locais onde o sentimento dos pós-Segunda Guerra Mundial fez com que a vanguarda a negasse a cultura tradicional que levara a humanidade ao conflito. "Eles queriam fazer coisas que impedissem o público de entendê-los. Era para ser desnorteador mesmo", diz Dottori. Aqui, a reação aconteceu com o nacionalismo, mas a música contemporânea brasileira – que teve como um de seus expoentes o maestro Rogério Duprat (1932-2006) e o movimento que passou a chamá-la de "música nova" a partir dos anos 1960 – se voltou mais para o universal que para o confronto.

"Existe o que é difícil, existe o chocante, mas também existe o que é de fácil fruição", diz Dottori. "A centralidade da curadoria da Bienal foi essa: não é para agredir o público. É para encantá-lo por estar percorrendo um mundo novo dos sons."