Sem transporte para escoar a produção, o agronegócio registrou ontem agravamento da crise provocada pela greve dos caminhoneiros em todo o Paraná. Milhões de litros de leite foram jogados fora – em um desperdício crescente que passou a provocar revolta – e pelo menos 1,65 milhões de pintainhos tiveram de ser descartados – causando preocupação sanitária ante o mercado internacional. Só nessas duas cadeias produtivas, as perdas passam de R$ 10 milhões ao dia.
900 mil
pintainhos, ou pintinhos, foram descartados nos últimos dois dias na região de Toledo. Outros 750 mil tiveram de ser eliminados na região Sudoeste. Se greve se alongar, sistema integrado vai paralisar chocadeiras. Transporte de aves e ração foi afetado e indústrias também estão parando.
Os produtores estão jogando fora o leite pela suspensão da coleta de indústrias que estão com câmaras frias abarrotadas. A estimativa é que metade da produção diária estadual, de 12 milhões de litros, esteja sem transporte. Perdas de R$ 6 milhões ao dia concentram-se nas regiões Oeste e Sudoeste. Inconformados, os produtores estão postando vídeos na internet em que mostram o descarte do alimento.
Máquinas agrícolas engrossam protestos na BR-277 no Oeste
Apesar dos prejuízos, o agronegócio declara apoio às reivindicações dos caminhoneiros. Organiza protestos em municípios de economia rural e leva máquinas agrícolas para os pontos de concentração, como o da BR-277 próximo a Medianeira (Região Oeste do Paraná).
Leia a matéria completaFornecedores do programa estadual Leite das Crianças – que distribui leite gratuitamente a famílias carentes – suspenderam entregas em Arapongas (Norte) e Iretama (Centro-Oeste), por exemplo. O governo do estado informa que a distribuição foi afetada. Nesta quinta-feira, nova avaliação sobre os prejuízos deve ser divulgada.
As perdas da avicultura, que a partir de hoje devem ultrapassar as do leite, concentram-se no Sudoeste, no Oeste e no Norte do estado. Só na região de Toledo, 900 mil pintainhos foram descartados nos últimos dois dias, afirma o presidente da Associação dos Avicultores do Oeste, Luiz Ari Bernartt. Para o descarte, as indústrias fazem a incineração dos animais, relata. Se a greve continuar até amanhã, o setor deve paralisar também as chocadeiras, para evitar esse problema.
Trégua
A expectativa é que haja uma trégua na greve. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, confia que decisões liminares da Justiça vão suspender bloqueios e aliviar o quadro. “Neste momento, 3 milhões de aves do estado têm dieta deficiente e terão crescimento desigual”, acrescenta.
Proprietário da Frango a Gosto, de Arapongas (Norte), Martins suspendeu ontem os abates e contabiliza perda de R$ 100 mil ao dia. Os funcionários foram dispensados e as entregas, adiadas. A Copacol, com sede em Cafelândia (Oeste), interrompeu o abate de uma de suas duas plantas. O segundo frigorífico opera com ociosidade.
A situação se agrava diariamente e dificulta a própria avaliação do impacto da greve dos caminhoneiros no agronegócio, disse o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Se o descarte passar de 10%, o estado terá de se explicar no mercado internacional, apontou. “O mundo passa a desconfiar que estejamos escondendo algum problema sanitário”, justificou.
Esse quadro é improvável e não deve provocar bloqueios comerciais, segundo o presidente do Sindiavipar.
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