A economia brasileira cresceu 1,5% no segundo trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, totalizou R$ 1,2 trilhão no período de abril a junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima da expectativa do próprio governo Dilma, que esperava aumento entre 0,7% e 1,1%. O resultado superou também as previsões feitas pelo mercado, que esperavam um avanço entre 0,8% a 1%.
A alta de 1,5% foi a maior desde o primeiro trimestre de 2010, quando a alta ficou em 2,0%. Na comparação com igual trimestre de 2012, o crescimento de 3,3% do PIB no período de abril a junho foi o mais alto desde o segundo trimestre de 2011 (3,3%). Já a alta da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no segundo trimestre deste ano em relação ao 2º trimestre de 2012 foi a maior desde o quarto trimestre de 2010 (11,1%), nessa base de comparação.
No primeiro trimestre, o PIB havia crescido 0,6% em relação ao trimestre anterior. Pelo lado da produção, o principal destaque foi a agropecuária, que teve alta de 3,9% no trimestre em relação ao trimestre anterior. Também registraram crescimento os setores da indústria (2%) e serviços (0,8%).
Pelo lado da demanda, houve crescimento na formação bruta de capital fixo - que representa os investimentos, de 3,6%, no consumo do governo (0,5%) e no consumo das famílias (0,3%). As exportações tiveram alta de 6,9%, enquanto as importações subiram apenas 0,6% no período.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira (30) que o Brasil tem possibilidades de voltar a ter um crescimento econômico a uma taxa média anual de 4%, a partir de 2014. Para ele, o bom desempenho previsto poderá vir de um incremento das exportações à medida que começam a surgir sinais de retomada do crescimento da economia internacional. "Esse crescimento, anualizando, representa como se a economia tivessse crescendo a uma velocidade de 6%", avaliou. O ministro classificou o desempenho do PIB como bom.
Na avaliação dele, em 2013 o país fechará com crescimento moderado. "Nossa trajetória é de um crescimento moderado até o final do ano, mas 2014 tende a ser mais promissor", apontou Mantega citando os resultados que começam a surgir no cenário internacional.
Já os analistas acreditam que o PIB deve desacelerar até fim do ano. Para eles, a atividade já está perdendo fôlego, afetada sobretudo pela falta de confiança generalizada na economia, abalada ainda mais pelas manifestações populares em junho. No ano, economistas prevêem crescimento de 2,3%, mas no terceiro trimestre ele deve ficar "perto de zero".
2012
Na comparação com o segundo trimestre de 2012, o PIB apresentou alta de 3,3% no segundo trimestre deste ano, dentro das estimativas que variavam de 2% a 3,8%, com mediana de 2,5%. No primeiro semestre do ano, o PIB sobe 2,6%, na comparação com igual semestre de 2012. O PIB do segundo trimestre de 2013 em valores correntes somou R$ 1,201 trilhão.
Na comparação com o segundo trimestre de 2012, o PIB de serviços avançou 2,4%. No primeiro semestre deste ano, o PIB de serviços subiu 2,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Na agricultura, a comparação com o segundo trimestre de 2012, registrou alta de 13%. No primeiro semestre deste ano, o PIB da agropecuária cresceu 14,7% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 3,6% no segundo trimestre de 2013 sobre o primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2012, a FBCF avançou 9,0%. No primeiro semestre deste ano, a FBCF ficou 6,0% acima do resultado do primeiro semestre do ano passado. A taxa de investimento (FBCF/PIB) no segundo trimestre de 2013 foi de 18,6%, informou o IBGE.
Os demais subsetores tiveram as seguintes taxas de aumento: intermediação financeira, previdência complementar e serviços relacionados (1,1%); indústria extrativa mineral (1%); transporte, armazenagem e correio (1%); serviços de informação (0,9%) ; produção e distribuição de eletricidade, gás e água (0,8%); outros serviços (0,7%); atividade imobiliária e aluguel (0,7%); e administração, saúde e educação públicas (0,1%).
Na comparação com o segundo trimestre de 2012, a agropecuária também foi o principal destaque, com alta de 13%. Também cresceram acima da taxa de 3,3% do PIB, os setores da indústria da transformação (4,6%); construção civil (4%); e comércio (3,5%).
PIB de 2013
Os resultados divulgados são compatíveis com as novas projeções tanto do governo como do Banco Central, que esperam para este ano um crescimento de 2,5% e 2,7% respectivamente. Os analistas do mercado financeiro são menos otimistas e preveem uma expansão de 2,2% para 2013.
Os dados permitem prever que a economia brasileira registrará uma ligeira recuperação em 2013 depois da desaceleração dos dois últimos anos. Após uma expansão de 7,5% em 2010, o crescimento da economia foi de 2,7% em 2011 e de 0,9% no ano passado.