| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

As perspectivas de manutenção no próximo ano de baixa confiança do consumidor, aumento da inflação e desemprego somados ao recuo da economia e à crise política deixam o setor imobiliário vislumbrando alguma recuperação apenas a partir de 2017.

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Estimativa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que o volume de imóveis residenciais à espera de comprador no Brasil era de 96 mil até o final de setembro, mesmo nível de dezembro de 2014, apesar dos esforços do setor para reduzir esse inventário via corte de lançamentos e promoções ao longo de todo 2015.

Segundo as contas da entidade, o tempo necessário para vender todos estes imóveis encalhados é de 13 meses.

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“Não temos ainda uma cenário muito claro para o ano que vem porque o país vive um momento de muita instabilidade política e isso acaba se refletindo na economia”, disse o diretor da Abrainc, Luiz Fernando Moura.

Ele, porém, avalia que pode haver algum espaço para recuperação de lançamentos no próximo ano depois de um 2015 inteiro em que o setor se focou em redução de estoques.

Refletindo o pessimismo do setor, nesta terça-feira o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2016 vai encolher 5 por cento após retração de 8 por cento este ano.

“A demanda existe, ela está hibernada. Tem muita gente que quer ter um imóvel e tem medo de comprar hoje”, disse o vice-presidente do (SindusCon-SP), Odair Senra.

Ofertas

Este ano a indústria recorreu a feirões imobiliários e ações promocionais em várias ocasiões. As ofertas mais agressivas foram além do descontos em dinheiro no preço dos imóveis e chegaram a incluir carro na garagem e apartamento 90% mobiliado.

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Mas as promoções e uma queda nominal dos preços não foram suficientes para melhorar os resultados das construtoras e incorporadoras, que vão encerrar o ano com queda nas vendas e lançamentos.

No acumulado do ano até outubro, foram destinados R$ 66,7 bilhões para a aquisição e a construção de imóveis no país, 28,4% a menos que no mesmo período do ano passado, de acordo com dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). O montante equivale a 301,5 mil unidades, volume 32,6% menor frente ao mesmo período de 2014.