A presidente Dilma Rousseff evitou pronunciar-se publicamente sobre o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que ordenou nesta sexta-feira que inteligência americana ponha fim à espionagem sobre líderes aliados.

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"A posição do governo é que ainda não há uma previsão de comentários sobre o discurso de Obama", disse um porta-voz do Palácio do Planalto. Segundo documentos vazados pelo ex-técnico da CIA, Edward Snowden, a Agência Nacional de Segurança (NSA) espionou os computadores de Dilma, que repudiou o caso e suspendeu uma visita de Estado a Washington que tinha programada para outubro do ano passado.

Já o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), comentou à Efe que o Brasil deve receber "de forma positiva" a declaração de Obama, que, além disso, "é um reconhecimento das denúncias feitas por Snowden".

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Em seu discurso dedicado a firmar uma posição frente aos escândalos de espionagem, da qual também foi alvo a chanceler alemã, Angela Merkel, Obama defendeu o funcionamento do aparelho de inteligência americano tanto no país como no exterior.

No entanto, admitiu que é necessário levar em conta as preocupações sobre a privacidade suscitadas após as revelações de Snowden e tomar medidas a respeito.

Essas revelações motivaram uma revisão dos programas de espionagem da NSA ordenada por Obama, que no entanto enfatizou hoje que nada indica que a comunidade de inteligência "tenha tentado violar a lei", embora tenha reparado sobre o foco entre chefes de Estado, que causaram reações mundiais.

Esses amigos e aliados "merecem saber que, se quero saber o que pensam sobre um determinado assunto, pegarei o telefone e ligarei para eles", acrescentou Obama.

Para Ferraço, "este discurso de Obama interrompe uma omissão por parte de uma pessoa que não era compatível com estas práticas. Obama está propondo mudanças e está reconhecendo que as relações não serão como antes e que a NSA não estará acima de todos".

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O senador, que conduz a comissão legislativa encarregada de investigar esse escândalo de espionagem, considerou que o discurso de Obama deverá levar o Brasil a "recompor as relações com os Estados Unidos", porque é um tema que, segundo sua opinião, "não pode seguir aberto".

"Na medida em que os Estados Unidos admitem o que fizeram em nível internacional, está encaixada uma espécie de desculpa, porque isto significa uma correção de rumo, embora não tenham pedido desculpas diretamente. Então nossa presidente Dilma reagiu à altura dos eventos", concluiu.

Por fim, Ferraço afirmou à Efe que é partidário de conceder asilo político no Brasil a Snowden, que está como refugiado temporário na Rússia.