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Doações recentes de vacinas contra a gripe H1N1 devem aumentar o estoque global criado para garantir que os países mais pobres tenham suprimentos a fim de conter a pandemia de gripe suína, disse o médico David Nabarro, coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU) para o combate de novas variedades emergentes de gripe.

Nabarro disse a jornalistas que muitos países ricos provavelmente se juntarão aos nove que já concordaram em compartilhar as suas vacinas com os países em desenvolvimento.

"É muito provável que haja outros países doando 10 por cento de seus estoques de vacina para o H1N1," afirmou Nabarro por telefone de Nova York, durante intervalo dos encontros com doadores já certos e outros em potencial.

Ele não quis dizer quem seriam os novos doadores, indicando que o anúncio seria feito pelos próprios países, provavelmente após as reuniões dele e de outros funcionários com as autoridades na sexta-feira e no fim de semana.

Na semana passada, Brasil, Austrália, Grã-Bretanha, França, Itália, Nova Zelândia, Noruega, Suíça e Estados Unidos prometeram doar vacinas ao estoque administrado pela ONU.

Os fabricantes de remédios têm capacidade para produzir uma quantidade de vacina para H1N1 suficiente para metade do planeta, o que tem forçado os países a escolher como administrar os estoques limitados, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira.

Os programas de vacinação em larga escala podem começar na Europa dentro de algumas semanas, depois que os reguladores de saúde pública europeus recomendaram duas vacinas de gripe suína para aprovação na sexta-feira.

Os países mais pobres são especialmente vulneráveis ao vírus H1N1 porque são muito afetados pelo HIV/Aids, pela malária e pela tuberculose e não contam com serviços de saúde com recursos suficientes, afirmam autoridades da ONU e da OMS.

Um relatório divulgado esta semana, às vésperas das reuniões em Nova York presididas pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan, informou que 85 países em desenvolvimento dependeriam exclusivamente das doações para obter vacinas.

A OMS, com sede em Genebra e que coordena os esforços da ONU envolvendo outras diversas agências do organismo mundial, tem como objetivo fornecer a essas nações vacinas em número suficiente para cobrir entre 5 e 10 por cento de suas populações, acrescentou o relatório.

De acordo com o documento, baseado em respostas dadas pelos governos desses 85 países, as nações pobres precisarão de 1,48 bilhão de dólares para lidar com a pandemia ao longo dos próximos anos --a maior parte dele em vacinas e medicamentos antivirais.

Nabarro afirmou que ficaria a cargo dos governos dos países que recebem as doações do estoque decidir quais setores da população deveriam receber prioridade para a vacina.

Os funcionários da OMS deixam claro, entretanto, que acreditam que os trabalhadores da área da saúde --médicos, enfermeiros e funcionários de hospitais e clínicas, que formam cerca de 2 por cento da população mundial-- deveriam estar entre os primeiros a serem imunizados.

A agência de saúde da ONU afirma esperar que um terço dos quase 7 bilhões de pessoas do mundo seja infectado pelo vírus durante a pandemia de gripe suína, que pode durar três anos.

Até o dia 20 de setembro, a gripe suína havia matado 3.917 pessoas em 191 países desde que foi identificada pela primeira vez em abril, afirmou a OMS. A existência de uma pandemia foi declarada em junho.

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