O momento vivido pelo setor produtivo é de real dificuldade, tanto da parte dos que se dedicam à produção de bens quanto dos consumidores, afetando em grande medida o comércio, indústria e serviços por causa das elevadas taxas de juros, e dificuldades na obtenção de capital de giro e fomento a novos negócios.

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A gravidade é tal que grande número de empresas vê-se na iminência de demitir empregados, o pior de todos os cenários, porque já não suportam a pressão do aumento de custos em função da carga tributária.

É sabido que entre os emergentes o Brasil é o que relata o menor crescimento, e o resultado provém do excesso de tributos e juros escorchantes, o que leva à perda de competitividade no mercado global.

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O momento exige união, sacrifício e compreensão em busca de paz social

O duro ajuste fiscal que o país se obriga a enfrentar resulta dos grandes equívocos cometidos pelos governos que descambaram num quadro de recessão, inflação e juros em níveis estratosféricos, uma combinação inimaginável num país que despontava na liderança entre os emergentes.

O mundo que antes nos olhava com espanto e admiração, agora nos observa com enorme preocupação. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país pode até perder o grau de investimento se o ministro Joaquim Levy falhar nas ações para controlar as contas públicas. A organização acaba de prever uma queda de 0,8% no PIB deste ano, mas muitos economistas consideram a previsão um tanto conservadora, antevendo que ela será ainda maior.

Assim, é inevitável que à população seja também debitada uma parcela expressiva dos prejuízos advindos da diminuição da renda familiar e da redução dos padrões de consumo e qualidade de vida.

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Nesse contexto inóspito, não é possível minimizar a situação vivida pelos três níveis de governo que não têm saída senão aplicar quase a totalidade das arrecadações para cobrir a folha dos servidores, em função de máquinas públicas inchadas e de custo altíssimo.

O exemplo clássico é visto no Paraná com os 300 mil servidores dos três poderes mais o Ministério Público, que em conjunto consomem R$ 17 bilhões dos R$ 20 bilhões que perfazem a arrecadação estadual durante um ano, sobrando muito pouco para atender as necessidades dos 11 milhões de habitantes e das próprias empresas.

No último Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, realizado em Brasília, foi realçada a necessidade de dispositivo legal que estabeleça em 50% das receitas o pagamento de pessoal, sob pena de aprofundar as lacunas provenientes da falta de investimentos em infraestrutura.

Na educação, o prolongamento da greve dos professores suspensa no momento em que chegava às raias da insensibilidade, inclusive com a ameaça de perda do ano letivo, o que seria extremamente lamentável para centenas de milhares de alunos e seus familiares, trouxe inegáveis prejuízos para a sociedade.

Enquanto as empresas fazem sua parte cortando na carne para evitar a dispensa de empregados, não há alternativa senão apelar ao bom senso das lideranças políticas e sindicais, reclamando uma ação cooperativa balizada por elevado descortino e responsabilidade social.

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Em síntese, o momento exige união, sacrifício e compreensão em busca de paz social, harmonia e respeito ao trabalho. A sociedade não pode ser prejudicada.

Antonio Miguel Espolador Neto, empresário, é presidente da Associação Comercial do Paraná.