Vivemos em uma democracia, um regime em que, por definição, a soberania é exercida pelo povo. Um dos principais instrumentos para que essa soberania se concretize é o voto. É por meio dele que o cidadão indica quem serão os representantes que defenderão os interesses da sociedade nas diferentes esferas de poder.

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Infelizmente, porém, no Brasil muita gente parece não entender a relevância do voto. Diversas pesquisas comprovam essa realidade. Uma delas, realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) poucas semanas após as eleições de 2014, apontou que quase metade dos entrevistados não lembrava em quais candidatos havia votado, especialmente para os cargos legislativos. Já nas últimas semanas, pesquisas de intenção de voto para as eleições municipais deste ano mostraram que, em várias cidades, vem aumentando o percentual de eleitores que se dizem dispostos a anular o voto ou votar em branco.

A conclusão a que se chega é que o eleitor está desiludido com a classe política, resultado da enxurrada de escândalos de corrupção que toma conta do noticiário e parece não ter fim. Não há dúvidas de que vivemos uma das maiores crises políticas de nossa história, uma crise essencialmente ética e moral, que faz com que a população desconfie de seus representantes a ponto de perder o interesse pelo voto.

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Muito do que vem ocorrendo no Brasil é fruto de nossa omissão. O fato de a maioria das pessoas não se envolver na vida política abre oportunidades para que políticos mal intencionados conquistem espaço nos poderes Executivo e Legislativo

Mas é justamente isso que nós, cidadãos, não podemos deixar acontecer. Muito do que vem ocorrendo no Brasil é fruto de nossa omissão. O fato de a maioria das pessoas não se envolver na vida política abre oportunidades para que políticos mal intencionados, que colocam interesses partidários e pessoais acima dos interesses da sociedade, conquistem espaço nos poderes Executivo e Legislativo.

Envolver-se na vida política não é necessariamente candidatar-se a um cargo público. É, sim, acompanhar de perto a atuação de governantes e parlamentares, fiscalizar suas ações, a forma como o dinheiro público é aplicado e, acima de tudo, cobrar constantemente para que tomem decisões que beneficiem o conjunto da sociedade. E o começo de todo esse processo se dá justamente com uma escolha responsável de nossos representantes.

Para despertar essa consciência entre os eleitores, a Fiep e dezenas de instituições parceiras lançaram o movimento Vote Bem. Iniciativa apartidária, a campanha quer estimular a reflexão sobre o voto, fornecendo o máximo de informação para que o eleitor tenha condições de escolher seu candidato de maneira criteriosa. No Vote Bem, mostramos ainda que a obrigação não acaba no voto, sendo necessário o monitoramento permanente do trabalho dos eleitos. Essas informações estão concentradas no portal www.votebem.org.br e são disseminadas por meio dos parceiros e pelas redes sociais.

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Existe uma parábola bíblica que nos mostra a importância de se separar o joio do trigo. Transferindo essa mensagem para as eleições, temos bons e maus políticos. O que devemos é saber escolher bem. Somente assim alcançaremos uma democracia plena, em que a soberania seja exercida, efetivamente, pelo povo e em seu benefício. Bom voto para você!

Edson Campagnolo é presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep)