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Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo, na tarde desta terça-feira (27), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, dois dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Ele teria viajado primeiramente à Argentina, governada pelo aliado Javier Milei que, no entanto, negou a entrada do parlamentar no país ou um pedido de asilo.
A confirmação ocorreu após a autoridade tentar cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), feita na véspera, de apreender seus passaportes por risco de se evadir do país. Seus advogados também confirmaram à reportagem que não conseguiram encontrá-lo em Brasília para atender à decisão.
Uma fonte próxima ao senador confirmou, mais cedo, que ele deixou o Brasil rumo à cidade norte-americana de Miami. Informações preliminares apontam que Flávio Bolsonaro viajou com a esposa e as duas filhas e pedirá asilo político ao presidente Donald Trump, que estaria ciente do fato.
A reportagem apurou, ainda, que a saída do Brasil ocorreu durante a madrugada com o apoio de um pequeno grupo de aliados. Fontes próximas ao PL afirmam que o clima é tenso entre outros aliados e a direção do partido, que não foram informados dos planos da viagem.
No começo da tarde, o advogado mexicano Simón Levy, próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Flávio Bolsonaro viajou já chegou ao país, numa operação que foi arquitetada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Flávio Bolsonaro responde a três investigações no STF envolvendo, entre outros casos, supostas relações com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e com o advogado Willer Tomaz, de quem é amigo pessoal e apontado como "usuário master" de uma conta bancária de uma empresa que teria sido utilizada para lavar dinheiro.
Mais cedo, ao ser questionado pela Gazeta do Povo, o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), havia negado qualquer viagem do parlamentar e disse que ele estaria na capital federal.
Ao UOL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou a informação como falsa e a atribuiu a uma tentativa da esquerda de provocar medidas judiciais contra o irmão.
Saída por Puerto Iguazu
Mais cedo, surgiram informações de que Flávio Bolsonaro poderia ter saído do Brasil através da fronteira com a Argentina utilizando outro documento de identificação. Brasileiros podem viajar ao país vizinho sem a necessidade do uso do passaporte.
Após a divulgação da informação pela imprensa argentina, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) acionaram o governo do país vizinho para apurar a suspeita. A autoridade policial afirmou, ainda, não ter registrado qualquer passagem de Flávio Bolsonaro pela aduana brasileira em Foz do Iguaçu. No entanto, o controle no ponto não é total e ocorre apenas de forma aleatória.
Já o controle aduaneiro na cidade de Puerto Iguazu, do outro lado da fronteira, é total e não teria registrado a passagem do senador, segundo disse porta-voz do governo Javier Milei, Fabián Fernández, à agência americana Bloomberg.
Informações publicadas pela imprensa argentina apontam que um jatinho estaria pronto para viajar aos Estados Unidos no aeroporto de Puerto Iguazu durante a última madrugada, mas sem detalhar o plano de voo com os passageiros e tripulantes. Isso levou à negativa da autorização para decolagem.
Fernández também negou que uma aeronave com as características relatadas pela imprensa local tenha decolado da Argentina rumo aos Estados Unidos.
Na véspera, Flávio Bolsonaro havia informado que não deixaria o país e que lideraria a oposição contra o quarto mandato de Lula. "[O senador] faz questão de deixar uma mensagem clara: nunca pensou em deixar o Brasil", disse sua assessoria em um comunicado.
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Deputados governistas pediram apreensão dos passaportes
Três deputados federais governistas foram ao STF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a apreensão dos passaportes do senador. A Gazeta do Povo apurou que a PGR não descartava aceitar o pedido e que já havia uma sinalização favorável, embora ainda não oficial, à Polícia Federal para cumprir a medida.
A movimentação dos deputados e da Polícia Federal ocorreu após declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio e cassado no ano passado, que defendeu a saída do senador do Brasil caso Lula vencesse a eleição. Em entrevista a um programa dos Estados Unidos na semana passada, ele afirmou que “se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza”.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025, em situação que classificou como “autoexílio”, e obteve do governo americano o chamado “Green Card”, documento que permite a residência de estrangeiros no país por tempo indeterminado.
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após uma sequência de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais. No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão (de quatro anos e dois meses), a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA. Em outro processo, também relatado por Moraes, Eduardo foi condenado, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas quando ele ainda era deputado, em 2021.









