Na solenidade da troca de comando da Policia Militar do Paraná (PM-PR), realizada na manhã desta quinta-feira (21), o governador Beto Richa (PSDB) voltou a afirmar que a Polícia Militar (PM) foi atacada por radicais infiltrados entre os professores no episódio do dia 29 de abril, em que 213 pessoas ficaram feridas na chamada “batalha do Centro Cívico”, em Curitiba. Na ocasião, os manifestantes protestavam contra a votação da lei que mudou o regime previdenciário dos servidores públicos estaduais.
No discurso da posse do novo comandante, o coronel Maurício Tortato, que assumiu o cargo depois que o ex-comandante Cesar Kogut pediu exoneração, Richa voltou a afirmar que os mais de 1,6 mil policiais que atuaram naquele episódio tinham sido agredidos pelos manifestantes. “Os soldados da PM foram agredidos por grupos radicais que não estavam ali para se manifestar pacificamente. Estavam infiltrados no movimento e queriam invadir a Assembleia Legislativa”, afirmou.
Ele também disse que os integrantes desse suposto grupo queriam desgastar a imagem política do governo. No entanto, até o momento, não foi comprovado que nenhum manifestante fazia parte de qualquer grupo radical, como os que usam a tática “black bloc”. Tanto que, no dia 1.º de maio, a Defensoria Pública do Estado do Paraná e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se pronunciaram afirmando que nenhum dos detidos na manifestação daquele dia era um “black bloc” ou portava artefatos perigosos.
Antes do início da solenidade, durante entrevista a jornalistas, Richa havia dito que a PM só estava no Centro Cívico naquele dia para garantir a ordem. “O evento lamentável aconteceu na tentativa de se evitar a invasão para garantir o funcionamento da Assembleia. Cada um dos 54 tem a legitimidade do voto popular independente do posicionamento ou projeto”, disse o governador. Ele chegou a declarar que esses “grupos radicais queriam o confronto e até um defunto para marcar o episódio e consequente a mim”.
Ele também classificou a greve dos professores como um ato com motivação política. “É uma greve sem objeto definido. Sem pauta definida. Uma hora é a votação na Assembleia, outra hora é data-base”, disse.
Para ele, a manifestação tem cunho político para desestabilizar seu governo. “E para desviar todos os escândalos que tomam conta do Brasil”, completou.
Ele disse que não o reajuste dos servidores não pode ser superior aos 5% devido à realidade financeira do estado. “Não podemos prejudicar outros setores. As pessoas pensam que o governo fabrica dinheiro. O dinheiro é oriundo dos tributos dos cidadãos”, afirmou.
Em relação às denúncias de que sua campanha teria feito contabilidade paralela, o chamado “caixa 2”, Richa classificou as acusações como uma “falácia” e uma “armação”.
Já o novo comandante da PM, Maurício Tortato, acredita não se pode tomar nenhuma decisão precipitada. Como a operação do dia 29 de abril é alvo de um inquérito do Ministério Público do Estado (MP), ele disse que prefere não se pronunciar especificamente sobre o caso. Mesmo assim, aponta algumas necessidades que devem ser adotadas pela instituição. “Vamos adotar os mecanismos de correção, promover estudo de caso e avançar em termos de tecnologia, inteligência e procedimentos operacional”, disse.
Segundo ele, a corporação é maior que o evento do dia 29 de abril e que irá trabalhar para recuperar a imagem da PM perante a sociedade. “Problemas nós teremos sempre. Agora temos muito serviço para conseguir nesse momento de relativa fragilidade resgatar toda tradição histórica da PM”, afirmou.
Ele aponta que a PM precisa mostrar serviço para a imagem da Polícia Militar melhorar. “É A PM cumprindo seu papel de preservar ordem pública, que não seja voltada ao marginal, focada na segurança do cidadã. Assim, conseguirmos reconquistar todo esse processo porque temos passado e tradição histórica”, afirmou.
Ele afirmou que foi um dos três coronéis que não assinaram a carta de repúdio às declarações do secretário de Segurança, Fernando Francischini, relativas ao confronto da polícia com professores e manifestantes no Centro Cívico. A carta foi assinada por 16 dos 19 coronéis da ativa. “Estava em férias e não assinei, mas se presente estivesse, assinaria”, disse.
O novo comandante da PM disse também que irá apurar denúncias de abuso de autoridade na Vila das Torres, como as noticiadas pela Gazeta do Povo na semana passada. “Os desvios de conduta em uma corporação com 20 mil homens infelizmente acontecem. Vamos atuar dentro dos nossos argumentos. Aqueles que ultrapassam os limites da lei irão responder com a intensidades dos seus atos”, disse. Em relação ao porte de armas dos policiais, o novo comandante afirmou que irá reavaliar o uso de arma por PMs durante horário de folga em locais de grande aglomeração pública, como bares, shows e estádios de futebol.