Um dia após a Defesa Civil de Santo André, no ABC, liberar 21 casas na região onde uma loja de fogos de artifício explodiu na quinta-feira (24), moradores ainda não conseguiram passar a noite em seus imóveis por causa dos estragos causados pela explosão. Neste sábado (26), muitas casas, apesar de não apresentarem riscos estruturais, estão com janelas, portas e forros quebrados, tornando a estadia difícil. Uma casa atingida pela explosão foi demolida nesta manhã.

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"A casa da minha avó foi liberada, não corre risco de queda, mas está inabitável. O forro foi para o chão, tem quase um dedo de pó preto em tudo", contou a advogada Soraia Luz, de 44 anos, neta de Bruna Guazelli Medéa, dona do imóvel que fica no númeo 35 da Rua Coroados. "Para ficar lá, só mesmo com uma bela faxina. Mesmo assim, ainda ficaria sem condições de abrigar uma senhora de idade."

Segundo Soraia, a família teve acesso ao local na noite desta sexta-feira (25). A dona do imóvel ainda não visitou o local depois do acidente. Ela estava em casa na hora da explosão e foi socorrida por vizinhos após ir para a rua. "Ela não viu como ficou tudo ainda, quer entrar para pegar roupas e outras coisas", contou Soraia.

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Primo da advogada e morador do local, o motorista mecânico de testes Adilson Derriço Medéa, de 40 anos, estava na casa na manhã deste sábado para tirar fotos e evitar o maior medo após a explosão: saques. "A polícia está aqui, mas está espalhada. A casa está sem energia, os fios foram danificados. Nosso maior medo é que entrem e levem as coisas", afirmou ele, que estava viajando a trabalho no dia do acidente.

Medéa conta que a família encontrou pedaços de foguetes com pólvora, ainda sem explodir. "Não sabemos se alguma fagulha pode causar um estopim", contou. A família chamou um construtor para avaliar os estragos no local na segunda-feira (28), mas receia que o valor da reforma seja alto.

"Dependendo de quanto ficar, vamos tentar vender a casa. Até decidir se alguém vai pagar e quanto, leva tempo. Também não sei se a prefeitura vai pagar algo espontaneamente".

Dia de faxina

Vizinha da família Medéa, a professora Ivani Torres Braghetti, de 41 anos, passou a manhã de sábado fazendo faxina na casa para tornar o local habitável novamente. No imóvel, mora seu pai, que estava sozinho no local na hora da explosão. "Eu estava em Sorocaba, onde moro hoje, e vi pela TV. Fiquei desesperada porque não conseguia falar com meu pai, que não atendia o telefone, e só fiquei sabendo que ele estava bem um tempo depois", contou.

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Na casa, os estragos são visíveis. O portão da garagem entortou, vidros foram quebrados, uma janela da sala foi arrancada pela força da explosão e o teto do carro foi afundado. Na manhã deste sábado, funcionários da prefeitura subiram no telhado para avaliar possíveis danos ou a presença de algum explosivo remanescente, mas nada foi encontrado.

Depois da casa limpa – além dos estragos externos, a poeira tomou conta dos cômodos – a professora entrou em contato com uma vidraçaria para repor os vidros perdidos, mas descobriu que o serviço terá que esperar um pouco. "O rapaz da vidraçaria disse que não ia poder vir, porque já está com muito serviço para fazer", explicou.

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