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Trânsito

Idosos perdem na guerra entre carros e pedestres

Flora Besdudnyi, 70 anos, foi atingida por um carro desgovernado na calçada em frente de casa: 45 dias de cama e 47 sessões de fisioterapia | Henry Milleo/Gazeta do Povo
Flora Besdudnyi, 70 anos, foi atingida por um carro desgovernado na calçada em frente de casa: 45 dias de cama e 47 sessões de fisioterapia (Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo)
Veja número de casos de acidentes envolvendo idosos em diversas cidades paranaenses |

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Veja número de casos de acidentes envolvendo idosos em diversas cidades paranaenses

Veja dicas para aumentar a segurança dos idosos pedestres |

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Veja dicas para aumentar a segurança dos idosos pedestres

O número de vítimas de trânsito da terceira idade mostra os perigos aos quais os pedestres se expõem ao caminhar pelas ruas das cidades. Não é uma carnificina como a demonstrada no polêmico jogo Carmageddon, que chegou a ser proibido no Brasil por incentivar o atropelamento de velhinhos. Mas o risco é alto.

Dos 6.690 atropelamentos aten­­didos pelos socorristas do Cor­­po de Bombeiros no ano passado no estado, 1.074 foram de pessoas com mais de 60 anos, 16% do total. No ranking por faixa etária de risco no trânsito paranaense, os adultos de 20 a 24 anos são as principais vítimas (683 atropelamentos), seguidos pelos jovens de 15 a 19 anos (620 casos). As pessoas que já passaram dos 70 anos estão no terceiro grupo mais vulnerável, com 578 registros de atropelamentos.

O ritmo de vida dos idosos, com mais saúde e disposição para assumir tarefas fora de casa como idas ao supermercado e bancos, ou mes­­mo trabalho e lazer, coloca mais velhinhos nas ruas. Para quem já tem a mobilidade reduzida por causa de algum problema de saúde, atravessar a rua torna-se um desafio.

O presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros, observa que o Código de Trânsito Brasileiro ga­­ran­­te proteção aos pedestres de ma­­neira geral. "Os caminhões de­­vem cuidar dos carros, que devem cuidar das motos. E todos devem zelar pela segurança dos pedestres. Ainda mais se os pedestres têm a mobilidade reduzida por algum motivo, como os idosos", comenta. Mas a regra básica é esquecida.

Os números variam entre as gran­­des cidades do Paraná. Em Londrina, o número de idosos atropelados representa 22,2% do total de casos, enquanto que em São José dos Pinhais não passa de 9,7%. Na capital, a média é de 15,2%. Para o comandante da Companhia de Trânsito de Londrina, tenente Ricardo Eguedis, a explicação para a alta taxa está em um fator cultural. "Os idosos de Londrina saem bas­­tante de casa, têm uma vida ativa", argumenta. Por outro lado, São José dos Pinhais concentra um grande volume de carros. "Temos a sétima maior frota do estado e chegamos em terceiro lugar se considerarmos a frota circulante devido aos contornos rodoviários", in­­forma o diretor municipal de trânsito, Eduardo Undria. O baixo ín­­dice de atropelamentos de idosos, segundo ele, deve-se ao fato de a cidade ser bem sinalizada e manter um histórico de palestras de educação para o trânsito em em­­presas e escolas.

Educação

Palestras educativas, completadas com aulas práticas, são desenvolvidas nas escolas de trânsito do Departamento de Estradas de Ro­­dagem (DER). São seis delas nas principais cidades do estado. A coordenadora Maria Lucia Alves Kutianski admite que o idoso não é o foco das escolas, mas que a segurança no trânsito para a terceira idade é lembrada principalmente no mês de setembro, durante a Semana Nacional do Trânsito.

Para o sargento Lenon Marcos Messias, do Corpo de Bombeiros em Ponta Grossa, antes de tudo é preciso contar com a conscientização de motoristas e dos próprios idosos pa­­ra reduzir as estatísticas. "É preciso que todos respeitem as vagas privativas, por exemplo. Isso evita que eles deixem o carro mais longe e tenham de atravessar ruas movimentadas, e se expondo a mais riscos."

O cuidado deve ser dobrado quando o pedestre tem alguma li­­mi­­tação motora. "O idoso que é por­­tador de alguma doença que comprometa sua capacidade de ambulação provavelmente levará mais tempo para cruzar a mesma via, terá mais dificuldade para ver e ouvir um veículo que se aproxime e terá menos sucesso ao tentar evitar um atropelamento", explica o médico geriatra e presidente da seccional estadual da Sociedade Brasileira de Geriatria e Geronto­­lo­­gia, Rodolfo Augusto Alves Pedrão. Não há uma estatística oficial sobre o número de atropelamentos de idosos que morrem por sequelas do acidente, mas a recuperação é mais lenta que para um adulto saudável.

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