A crise gerada pelo depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa, que desmentiu Antonio Palocci e acabou provocando a demissão do ministro da Fazenda, é semelhante à crise que derrubou o ex-presidente Fernando Collor de Melo, quando Eriberto França, motorista de Collor, prestou depoimento decisivo abrindo caminho para o impeachment em 1992.
Eriberto, descoberto pelo PT, foi a testemunha-chave da CPI do PC. Foi ele quem confirmou ter ido buscar cheques do tesoureiro de campanha Paulo Cesar Farias, o PC, para pagar despesas pessoais do presidente. Os cheques, que depois se descobriu serem de correntistas fantasmas, eram depositados numa conta administrada por Ana Aciolly. A conta era usada para pagar as despesas da Casa da Dinda, residência oficial de Collor durante seu mandato interrompido pelo impeachment.
No último dia 17, Pedro Simon, que defendeu o afastamento de Palocci por 30 dias, chegou a comparar o caseiro Francenildo Santos Costa ao motorista Eriberto França:
- Hoje é um dia para ficar marcado na história do PT, quando um rapaz simples e singelo fez denúncias graves contra o ministro. Ele nos lembra aquele motorista que o Eduardo Suplicy mostrou na época da CPI do PC - disse Simon.